Paulo Gala

20 de maio de 2012
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Dissolução de uma zona monetária

Como seria uma saída de Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda da zona monetária? Traumática. Imagine que você é um investidor com recursos líquidos (CDBs, títulos públicos, títulos privados) hoje em algum desses quatro países. Seu dinheiro está estacionado em algum banco português, espanhol ou irlandês ou ainda em títulos públicos desses governos fanfarrões. E existe um risco considerável de quebra de padrão monetário, ou seja, você vai dormir com euros e acorda com Escudos e Pesetas!! O que você faria hoje, com a escalada de tensão no mercado mundial? Sacava tudo e mandava para outro país! Alemanha, EUA, América Latina. Eis aí uma corrida bancária acompanhada de fuga de capitais. Nos momentos de desespero, como nos ensinava o velho Keynes, os agentes correm desesperadamente para ativos líquidos. Ouro, moedas fortes, etc… Se o euro persistir numa crise dessas, o que parece mais provável, será também um repositório natural das riquezas de portugueses, espanhóis, gregos e irlandeses, contando que esses recursos fiquem na Alemanha, é claro!

Uma situação extrema como essas poderia acontecer? Poderia. Os europeus estão brincando com coisa séria. Depois que a corrida bancária e a fuga de capitais são desencadeadas fica muito difícil segurar. Lembremo-nos dos casos de México, Brasil Argentina por aqui nos 90. Aliás, o caso argentino é bem ilustrativo. Quando os argentinos descobriram que 1 peso não era igual a 1 dólar correram para o banco para tentar sacar os dólares. Só que obviamente não havia uma quantidade de dólares suficientes para honrar todos os pesos existentes na economia argentina, criados via crédito. Corralito! Todos entraram no curral tentando converter seus pesos em dólar! No final das contas viram que um peso valia mesmo era 0,33c de dólar! No caso europeu a situação é mais complexa pois as moedas antigas foram abolidas de fato. E os BCs nacionais não podem mais emitir para socorrer uma corrida bancária. Quem socorre então!? O Banco Central Europeu.

Se o Banco Central Europeu quiser estancar a crise de vez terá que embarcar o quanto antes num programa de afrouxamento monetário a la EUA e UK. Alias a recuperação nesses dois países será e tem sido bem mais rápida pois uma política monetária expansionista e uma desvalorização cambial ajudam demais nessa hora. Além daquele fundo enorme que os europeus fizeram teriam que vir a público agora e dizer: “Nós vamos emitir quanto for necessário para socorrer os PIGS. Ninguém vai quebrar pois o BCE comprará, usando moeda emitida, todos os títulos duvidosos que correm por aí”. Loucura? Foi exatamente o que o FED americano fez! E não bastassem os 2 trilhões de dólares que emitiram, estatizaram ainda varias companhias! E entraram no capital de todos grandes bancos americanos! Ah, mas a Europa conservadora não fará isso. Que sacrilégio!

Os austeros alemães, com sua tradição monetarista do Bundesbank vão agora emitir para financiar PIIGS fanfarrões!? Os cortes de salários, o sacrifício do povo alemão durante esses últimos quinze anos para que? Para financiar gregos, portugas e espanhóis gastadores? Veraneio na costa do sol? Porre de vinho do porto? Olimpíadas em Atenas? Eles que se virem para curar essa ressaca e pagar as contas. A Europa rica do norte vai estender a mão aos pobres do sul? Não? Até porque a zona do euro pode continuar sem eles. A Europa do leste poderia entrar, formando uma nova periferia para investimentos. Os PIIGS mesmo poderiam voltar depois com câmbios mais desvalorizados a se reintegrar na zona do euro. Qual será o desdobramento dessa zona?

18 de maio de 2012
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Bolsa derretendo!

Todo mundo vendeu tudo nessa semana na bolsa. Tempo de sell-off! Quantos sell-offs ocorreram na nossa bolsa desde 2000 até 2010? Se considerarmos o corte mágico e arbitrário de queda maior do que 3,9% num único dia, ocorreram na Bovespa exatamente 65 sell-offs desde o dia 05/01/2000 até dia 31/12/2010. De um total de 2498 pregões, tivemos 2,6% de dias com quedas maiores do que 3,9%, capazes, obviamente, de derreter partes consideráveis dos portfólios. Existe algum padrão para a ocorrência desses eventos? Na média desse período um sell-off aconteceu a cada 37 dias, com uma distribuição para lá de desigual… somente no fatídico ano de 2008 foram 21 ocorrências, ou seja, 1/3 do observado em todo o período. A distância entre os sell-offs também revela um padrão interessante. 50% de todos os casos ocorrem com distância de no máximo 9 dias entre um pregão e outro. A partir daí a distância vai aumentando exponencialmente, a redução da volatilidade aumenta a confiança num ciclo virtuoso que tende a se multiplicar (ou como diria Minsky, a estabilidade vai aumentando o apetite para tomada de risco dos investidores, reduzindo a ocorrência de vendas em massa de ativos). O gráfico abaixo mostra curiosos triggers de sell-offs. No período analisado, o primeiro gatilho parece estar na casa de 20 pregões sem sell-off. Daí em diante há um pulo para 40 pregões de calmaria. Se superada essa marcada, novo pulo para mais de 60 pregões sem quedas de 3,9%, viva! E depois 100, 250 e quem sabe até 360, um ano inteiro sem sell-offs! Moral da história, se a bolsa começa a cair muito não para mais. Há um enorme risco de contágio no dia a dia com quedas levando a mais quedas. O que está barato pode ficar ainda mais barato! Cuidado!

17 de maio de 2012
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Desvalorização do câmbio causa inflação?

O gráfico abaixo mostra a evolução dos preços das commodities (agropecuária(1), metais(2) e energia(3)) por aqui em reais de Janeiro de 2011 a Abril de 2012. Resulta do preço em dólar desses produtos e da variação do câmbio por aqui. Se o câmbio se desvaloriza como agora mas o preço das commodities em dólar cai, não há efeito final. Ou seja, os preços em reais por aqui não aumentam. É isso então que vai ditar se a desvalorização cambial recente produzirá inflação por aqui ou não. Vamos aguardar a divulgação do IC-Br de Maio pelo Banco Central, uma boa pista do que acontecerá logo mais com o IPCA se o câmbio ficar em R$2,00!

1/ Composição: carne de boi,   algodão, óleo de soja, trigo, açúcar, milho, café, arroz e carne de porco.
2/ Composição: alumínio, minério de ferro, cobre, estanho, zinco,   chumbo e níquel.
3/   Composição: petróleo brent, gás natural e carvão.

16 de maio de 2012
por admin
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Corrida bancária na Grécia

do financial times: Athens-based bankers said withdrawals exceeded €1.2bn on Monday and Tuesday – 0.75 per cent of deposits – as President Karolos Papoulias failed in two final meetings with conservative, socialist and leftwing leaders to form a national unity government.   One of the Greek bankers said that since the end of April, deposits had been reduced by some €5bn, including orders to buy foreign bonds and securities.

http://ftalphaville.ft.com/blog/2012/05/16/998501/plug-pulling-in-athens/

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