Paulo Gala

Breve histórico da taxa de juros real no Brasil

| 6 Comentários

O gráfico abaixo mostra a evolução de nossa taxa de juros desde o início do plano real. A fase de 96-99 exibe a maior média do período. Começamos o plano real com SELIC acima de 50% ao ano para conter o excesso de aquecimento da economia no contexto do plano de estabilização. As crises da Ásia e Russia obrigaram o BC a colocar o juro real em mais de 30% ao ano para segurar o regime de câmbio fixo. Naquela época o Copom era para definir juro as pressas para salvar o regime cambial. A mudança para o câmbio flutuante em 13 de janeiro de 1999 inaugurou uma fase de redução paulatina das taxas reais. A fase de transição para o governo Lula teve ainda um relativo stress, com câmbio indo a R$4,00 no final de 2002. É possível observar no gráfico uma nova subida de juros reais no inicio de 2003 para controlar os efeitos inflacionários da desvalorização cambial. No final de 2002, entretanto, houve uma demora do BC em subir a taxa básica por conta do processo eleitoral fazendo com que o juro real caísse para menos de 15%. Depois da estabilização das expectativas no início do governo Lula, as taxas de juros reais seguem uma trajetória consistente de queda até o final de 2012. A transformação do país em grau de investimento, a quadruplicarão das reservas, a estabilização dos preços, entre outras melhoras macroeconômicas, trouxeram nosso juro real para o menor patamar da história recente. Essa mudança no patamar de juros tem desencadeado transformações estruturais importantes na economia brasileira como o florescimento do mercado de capitais privado, com desenvolvimento de mercado de hipotecas e crédito de longo prazo. Juros reais abaixo de 5% inauguraram uma nova fase no Brasil.

juro

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6 Comments

  1. Opa! Mais um ótimo artigo!

    Eu acho que já era… Daqui para frente, o Brasil continuará assim, com taxas reais “baixas”, entre 5 e 7% ao ano.

  2. Paulo, veja que a curva da taxa de juros é o inverso do aumento do crédito no Brasil.

    E pegue o gráfico do lucro dos grandes bancos e verá que, no mesmo período, a curva de lucros anual é ascendente, acima da inflação.

    Significa que o lucros dos bancos não está ligado, diretamente e estritamente, a alta taxa de juros.

    O lucro dos bancos está muito mais ligado ao dinamismo da economia e a baixa taxa de desemprego ( = baixa inadimplência) do que ao tamanho da SELIC.

    Certo?

    Abração!

    E não se esqueça de ir a Bonaire para mergulhar até enjoar!

  3. Caro Professor Paulo Gala,

    trabalho no mercado imobiliário e não posso deixar de me perguntar o que aconteceria com os preços dos imóveis caso a taxa de juros volte a subir.

    Não acredito em bolha, pois nosso dia a dia mostra que existe uma forte demanda para locação de imóveis de padrão A e maior ainda para AAA, mas o fato é que a rentabilidade de locação supera o CDI por uma margem muito baixa.

    Enquanto um CDI rende hoje (com impostos para PJ) 0,45% a.m., nossas locações (incluindo todos os impostos PJ e custos menos manutenções eventuais) rendem em média 0,53%, o que está em linha com o mercado.

    Sendo assim, me pergunto o que ocorreria com os preços dos imóveis, caso a taxa de juros volte a subir para 8,75%, o que tornaria a aplicação risk free no CDI mais rentável do que um aluguel.

    Por favor, o que o Sr. pensa a respeito?
    Há algum estudo sobre a elasticidade do preço dos imóveis em função da taxa de juros, que possa colocar mais luz sobre esta questão?

    Obrigado,

    Mateus G.

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