A economia da bolha

Numa típica bubble economy os preços de imóveis disparam, a bolsa sobe muito e o déficit em conta corrente abre. O câmbio sobrevaloriza. Os não-transacionáveis (terra e trabalho) ficam muito caros e os transacionáveis manufaturados do exterior (carros, eletrônicos, geladeira, fogão) ficam muito baratos em relação aos da indústria doméstica. As importações voam e as exportações patinam. Se for uma commodity-bubble economy o movimento é amplificado por ciclos de commodities favoráveis. Então o preço dos transacionáveis não manufaturados domésticos também dispara dando sobrevida ao ciclo. Nesse último caso cria-se um perfil do tipo dutch-disease drive.O esquema abaixo ajuda a entender.

No primeiro caso temos as economias que deram certo e vão bem. Alemanha, Coréia e Taiwan. Tem o drive exportador de manufaturas como modelo de desenvolvimento. Crescem exportando e acumulando divisas. Raramente passam por crises pois tem superávits públicos e privados. Sobram estoques e ativos. Baixo grau de alavancagem e endividamento. O segundo grupo de economias ficou bem famoso na crise de 2008. Eu colocaria aqui Irlanda, Inglaterra, Estados Unidos, Portugal, Espanha, por exemplo.

Esse macro-padrão gera um crescimento interessante por algum tempo. Liderado pelo setor de não comercializáveis, principalmente retail e imóveis. O drive maior é endividamento dos consumidores e famílias. O preço dos imóveis sobe muito. Bolsa também. Só que o grau de alavancagem e endividamento aumenta muito. Lá na frente vem uma crise claro pois o endividamento não é infinito. O grupo três é o nosso. As características do grupo dois são ampliadas pois as commodities ajudam a irrigar a economia com dólares. Tem prós e contras. O ciclo é bem mais longo especialmente se somado a um super ciclo de commodities. Só que a indústria doméstica sofre muito. A sobrevalorização cambial é bem mais intensa e massacra a rentabilidade na produção de manufaturas locais. Os consumidores ficam riquíssimos pois os produtos estrangeiros ficam muito baratos. Os dólares vão chegando e todo mundo vai se endividando. A subida de imóveis e bolsa pode ser forte. E lá na frente vem uma crise maior.

 

ver Anatomia de uma BolhaBolhas imobiliárias

8 thoughts on “A economia da bolha”

  1. Paulão, vi sua palestra no Centro Celso Furtado.
    Gostei muito

    Mas eu queria complementar uma fala do Carlos Pinkusfeld que eu não consegui fazer na hora

    Ele falou muito da Alemanha, mas a gente tem de lembrar que a Alemanha recebeu todo tipo de benesse dos EUA após a Segunda Guerra. Enquanto isso a América Latina sofreu golpes que travaram a modernização capitalista que estava em curso, como reforma agrária.

    Eu acho esse texto muito bom a esse respeito

    http://voyager1.net/economia/alemanha-desenvolvimento-na-base-do-calote-e-de-politicas-intervencionistas/

    Abraços

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