A espiral centro periferia

A espiral acima foi construída a partir da plotagem do ranking de países do atlas da complexidade econômica de 2014 num espaço de coordenadas polares. Os países do centro da espiral (Japão, Alemanha e Suíça) são os mais complexos de uma série de 122. Os países da periferia da espiral (Sudão, Guiné e Yemen) estão entre os menos complexos. A espiral ilustra uma velha ideia dos chamados economistas cepalinos, especialmente de R. Prebisch: a relação centro periferia.
Para os economistas estruturalistas ou cepalinos um processo de industrialização robusto e a consequente sofisticação de uma economia são condições sine qua non para o aumento do emprego, da produtividade e da renda per capita de um país e, portanto, da redução da pobreza. Para esses autores o processo de desenvolvimento econômico envolve uma realocação da produção de setores de baixa produtividade para setores de alta produtividade.

Paul Rosenstein-Rodan, Ragnar Nurkse, Arthur Lewis, H. Singer, Albert Hirschman, Gunnar Myrdal e Hollis Chenery pertencem ao grupo de pensadores econômicos associados com o estruturalismo original ou pioneiros do desenvolvimento. Suas contribuições seminais desafiaram a visão neoclássica acerca da eficiência do mercado para promover a mudança estrutural necessária para o processo de desenvolvimento econômico.

Uma outra linha de contribuições vem do chamado estruturalismo latino-americano, que está relacionado, principalmente, à Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) cujas obras se integraram em uma escola de pensamento coerente no final dos anos 1950. À luz das experiências históricas, os principais pensamentos apresentados nesta versão latino-americana são encapsulados nas obras de Raul Prebisch e Celso Furtado, com foco sobre os desafios específicos enfrentados pelos países em desenvolvimento para crescer em uma economia mundial dividida em duas regiões: o “centro” e a “periferia”, com suas distintas estruturas produtivas (Prebisch, 1949).

Mais recentemente os trabalhos desenvolvidos por R. Hausmann, C. Hidalgo e D. Rodrik, que culminaram no Atlas da Complexidade econômica, seguem um caminho teórico e empírico muito parecido ao que foi desenvolvido há mais de 50 anos atrás pelos economistas estruturalistas. Claro que numa linguagem mais formalizada e, principalmente, com ferramentas empíricas muito mais poderosas. Os resultados e dados do atlas da complexidade econômica trazem um salto empírico enorme (diria até um breakthrough) para os insights originais dos economistas estruturalistas. A espiral centro periferia apresentada acima é apenas mais um exemplo dessa poderosa contribuição empírica dada por Rodrik, Hausmann e Hidalgo.

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