A tempestade perfeita chegou ao mundo emergente em 2015

As bolsas e moedas de países emergentes registram em 2015 as maiores quedas desde a crise de 2008. Em dólares as bolsas de Malásia, Indonésia, Turquia e Brasil registram já quedas superiores a 40% no ano.  No mercado de moedas a situação e’ similar: o Rand sul africano, o Novo Sol do Peru, a Rupia da Indonésia e os Pesos chileno e mexicano registram desvalorizações superiores a 10% no ano. O Ringgit da Malásia, Lira Turca, Peso colombiano e o Real já apresentam desvalorizações superiores a 20% em 2015. A recuperação dos emergentes a partir de 2010 se deu pela via de forte expansão de credito interno e alavancagem. O crescimento retornou rapidamente com o auxilio dos fluxos de capitais vindos do norte graças aos juros zero e ao forte repique de preços das commodities com a retomada de taxas de crescimento na China acima dos 10%. Esse refluxo dos países emergentes acabou. Com a recente desaceleração da China os preços de commoditites derreteram e a desalavancagem segue com forca em países do sudeste da Asia, América Latina e Leste Europeu. Os mercados emergentes já vivem hoje um cenário de alta de juros no FED e de aterrisagem brusca na China.

Nos EUA os mercados acionários estão à beira de um ataque de pânico por conta da subida de taxa de juros do FED. Apesar da recuperação americana continuar decepcionando, especialmente em termos de expansão da indústria, o setor de serviços segue bem e o mercado de trabalho continua dando sinais de melhora, ainda que a participação dos americanos na força de trabalho continue bem abaixo de padrões históricos (ver sobre as depressões no mundo rico). O desemprego se aproxima dos 5% e as ultimas sequencias de payroll tem mostrado uma criação de vagas consistentes. Existem elementos suficientes nos dados de mercado de trabalho, salários e preços dos EUA para subir ou postergar a subida de taxas de juros. A decisão final dependera mesmo da visão que o FED tem sobre a estabilidade financeira ou possível estrago que uma alta de juros poderá ter no preço dos ativos americanos e mundiais. (ver Alta tensão no FED)

Na China a bolha do mercado de ações estourou e não há perspectivas de recuperação no curto prazo nem do nível de atividade, nem do preço das ações. Uma economia que tem quase 50% do seu PIB dependente de investimentos não consegue crescer a taxas elevadas por muito tempo. O antigo modelo chinês era baseado em exportações de manufaturados para o Ocidente. Teve enorme sucesso, especialmente no que tange a criação de um moderno e complexo setor produtivo de bens transacionáveis não commodities, condição sine qua non para o desenvolvimento econômico (ver Construindo complexidade). O novo modelo de crescimento chinês se baseia em forte alavancagem com credito publico para expansão de infra-estrutura e construções residências e comerciais. Não será possível crescer desse modo por muito mais tempo já que o nível de ociosidade na China atingiu limites insuportáveis tanto no setor industrial quanto no setor de construção e infra-estrutura: preços ao produtor por exemplo estão em deflação por la há mais de 3 anos. (ver China: a hora da verdade)

No Brasil a situação também se complicou muito. O forte choque de juros necessário para combater os efeitos secundários dos aumentos de preços administrados e o necessário ajuste fiscal para estabilizar a dinâmica da divida publica acabaram contribuindo para agravar o tamanho da recessão interna nesse cenário mundial conturbado. Movimento esse que por sua vez acabou desestabilizando ainda mais as já frágeis contas publicas graças a enorme queda de arrecadação decorrente do mergulho do nível de atividade. O estouro da bolha de commodities no mundo e da bolha de credito no Brasil e o programa de desonerações tributarias deixaram as contas publicas em posição bastante vulnerável para enfrentar a chegada da tempestade perfeita no mundo emergente. Se o pais não voltar a crescer em 2016 a perda do grau de investimento e’ certa. Os ativos brasileiros precificam esse cenário hoje. (ver A exaustão do modelo CCC no Brasil e Crise cambial e inflação)

desalavancagem geral_EM

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