A queda da indústria brasileira

O gráfico abaixo mostra a evolução de nossa produção industrial desde o início de 2002. Depois da maxi desvalorização do câmbio de Outubro 2002 houve uma explosão de produção industrial no país, ajudada claro por uma economia que voltava a crescer graças à expansão de crédito e também subida de preços de commodities. Desde então nosso câmbio real voltou a se apreciar entrando em nova área de sobrevalorização- que acabou por levar o déficit em conta corrente a U$80 bi, o terceiro maior do mundo, atrás apenas de EUA e Reino Unido. A indústria brasileira já sofria com atraso tecnológico, infra-estrutura precária e pesada carga tributária em 2002- desde então pouco mudou. O que ajudou a provocar um aumento de mais de 30% da produção da indústria brasileira nos anos de 2003-2007 foi uma desvalorização real do câmbio de mais de 50%. Hoje a única salvação da indústria brasileira é de novo uma enorme desvalorização cambial que possa recuperar a rentabilidade para investimentos no setor. Ao aumentar o preço dos bens transacionáveis, um câmbio mais desvalorizado aumenta imediatamente a lucratividade do setor industrial. Sem lucros não há estímulos para investimentos e compra de máquinas capazes de promover ganhos de produtividade e aumentos de escala. Sem lucro o empresário industrial prefere fechar as portas. Essa forte desvalorização deverá acontecer no futuro – podendo ser mais ou menos “deliberada”. Mas virá, pois o Brasil não esta hoje em condições de financiar o terceiro maior déficit em conta corrente do mundo por muito tempo.

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