A transmissão do câmbio para os preços (passthrough) em 2014

Os gráficos abaixo mostram a evolução do câmbio, preços de commodities em reais (IC-Br), preços no atacado (IGP) e ao consumidor (IPCA) no Brasil nos últimos 2 anos. Da perspectiva da taxa de câmbio como ativo financeiro o Brasil está 25% mais barato hoje, pois investidores deixaram de confiar no país graças à deterioração dos fundamentos macro (déficit fiscal e em conta corrente). Como preço dos produtos externos aqui, a desvalorização cambial deixou tudo mais caro. As commodities em reais (metálicas, energéticas e agropecuárias) subiram mais de 10% no período. Os preços no atacado foram contaminados e subiram 8% no acumulado. Os preços ao consumidor também foram afetados e continuaram subindo também graças ao realinhamento dos preços administrados (tarifas).
É muito difícil controlar a inflação numa situação de pleno emprego, com aumentos de preços administrados e desvalorização cambial simultaneamente. Ainda que a queda de preços das commodities em dólares no mercado internacional ajudou muito nesse sentido nos últimos meses. Para que a inflação de preços ao consumidor retorne a meta mais rapidamente será necessário um aumento violento da SELIC e um aprofundamento da recessão brasileira. Ver Crise cambial e inflacao

 

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