A volta do juro neutro

Qual a taxa de juros neutra da economia brasileira? Qual nível de SELIC é compatível com o crescimento dentro do potencial sem gerar inflação? O represamento do preço de combustíveis e energia e uma possível desvalorização do câmbio no médio prazo para corrigir o desequilíbrio na conta corrente apontam para inflação acima do teto da meta e possível aumento da SELIC no futuro. Por outro lado, a atividade fraquíssima e a falta de perspectivas apontam para uma possível redução de SELIC. Depois de anos de expansão do crédito e de forte deterioração da indústria brasileira, nossos motores para o crescimento parecem estar parando. Se o câmbio continuar na faixa de R$2,3 nos próximos meses e os reajustes da gasolina forem postergados para os próximos anos pode aumentar a probabilidade de queda da SELIC no futuro.

O forte crescimento do crédito total no Brasil (livre e direcionado) nos últimos anos foi um dos principais responsáveis pela aceleração das taxas de crescimento do PIB; talvez uma das principais explicações de porque o país tenha crescido tanto nos últimos 10 anos. Atualmente esse ciclo parece estar chegando ao fim. Todo ciclo acaba. Os aumentos recentes da SELIC vão agravar e acelerar esse processo. Se o ciclo de crédito de fato acabar essa taxa de juros “neutra” pode ser menor do que se imagina. As condições iniciais do ciclo de crescimento iniciado no Brasil em 2003 não se repetem hoje: baixa relação crédito/PIB, câmbio fortemente desvalorizado e desemprego elevado. Hoje temos uma situação de alta alavancagem das famílias e empresas com relação crédito/PIB próximo dos 60%. O câmbio sobrevalorizado tira condições de competição da nossa indústria, a pressão de salários sem aumentos de produtividade reduz margens de lucro. Será difícil crescer nos próximos anos a partir dessas condições. O nível da taxa SELIC nos próximos anos deverá contemplar essas importantes transformações da economia brasileira.

Ver O final do ciclo CCC no Brasil

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