Abertura, complexidade e fluxos de comercio: o que importa é a “extensão do mercado”

O gráfico acima mostra no eixo X a complexidade (http://atlas.media.mit.edu/en/rankings/country/) de diversos países e no eixo y o fluxo de comercio (http://data.worldbank.org/indicator/NE.TRD.GNFS.ZS) sobre o PIB; ao lado de cada pais o tamanho da população. De modo geral os mais complexos exibem maiores fluxos de comercio sobre PIB. Existem dois grupos de países na amostra: grande (linha vermelha) e pequena população (linha azul). Os países de enorme população, mesmo complexos, exibem ainda baixa “abertura comercial”. Destaques aqui são: China, EUA, Japão, China e Brasil. Os de pequena população e complexos exibem notáveis fluxos de comercio (“abertura”). Destaque para a Veneza do século XXI, a cidade de Cingapura (ou Hong Kong). No gráfico abaixo temos um comparativo das tarifas medias de importação no Brasil e no mundo emergente. Me parece que complexidade e tamanho da população explicam muito mais os fluxos de comercio ou “abertura” do que níveis de tarifa.

Para Adam Smith a divisão do trabalho explicava a riqueza das nações. “O maior aprimoramento das forças produtivas do trabalho em relação a habilidade, destreza e bom senso com os quais o trabalho é em toda parte dirigido ou executado parecem ter sido resultados da divisão do trabalho”.  A DIVISÃO DO TRABALHO É LIMITADA  PELA EXTENSÃO DO MERCADO. “Como é o poder de troca que leva à divisão do trabalho, assim a extensão dessa divisão deve sempre ser limitada pela extensão desse poder, ou, em outros termos, pela extensão do mercado. Quando o mercado é muito reduzido, ninguém pode sentir-se estimulado a dedicar-se inteiramente a uma ocupação, porque não poderá permutar toda a parcela excedente de sua produção, que ultrapassa seu consumo pessoal, pela parcela de produção do trabalho alheio, da qual tem necessidade”. (Livro I, Capítulo III). Dessa análise de Smith decorre que necessariamente um país, região ou cidade rico deve ser exportador de sua produção: bens ou serviços. O caminho natural para ampliar o mercado é atingir outras cidades, estados e países. As exportações são a chave para o desenvolvimento econômico. Claro que o adensamento do mercado local decorrente da renda gerada pelo aumento de escala e produtividade acaba criando um círculo virtuoso que contribui para o processo de enriquecimento. Mas ninguém chega lá sem ter inicialmente atingido outros mercados (a extensão do mercado).

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