Anatomia de uma bolha econômica

O brilhante economista e professor da Universidade de Cambridge, Gabriel Palma, analisou nos anos 90 as rotas para as crises financeiras na Asia e America Latina. Num belíssimo texto com o título ‘Three routes to financial crises` Palma mostrou como México, Brasil, Argentina, Coréia do Sul, Malásia, Tailândia e Indonésia caminharam para uma grande crise externa nos anos 90 com consequências dramáticas em termos de queda do PIB, desvalorização do cambio, queda da bolsa, etc… Em todas essas rotas, especialmente na Ásia, quatro vetores foram fundamentais: i)aumento explosivo dos déficits em conta corrente, ii)crescimento forte do crédito, iii)bolha nos preços de imóveis, iv)bolha nos preços acionários.

O motor dessas bolhas macroeconômicas foi principalmente a liquidez farta, a forte expansão do credito doméstico e a queda dos juros reais. Eventualmente o déficit externo atingiu níveis insuportáveis (5% do PIB ou mais) e quando o fluxo de capital externo secou todos caminharam para uma crise externa: México em 1995, Brasil em 1999, Argentina em 2001, Tailândia, Coreia, Malásia e Indonésia em 1997. O Brasil de 2013 preenchia alguns dos requisitos. O déficit em conta corrente na casa dos 3%. O crédito sobre PIB dobrou de 25% para quase 60% do PIB. Os preços imobiliários subiram de forma impressionante. Em São Paulo computa-se já um aumento de 100% nos últimos 5 anos. Será isso sustentável?

ver Boom e bust na economia brasileiraEconomia da bolha

9 thoughts on “Anatomia de uma bolha econômica”

  1. Alguns fundamentos das crises anteriores sao recorrentes, porem nao acredito que possa ser feita uma comparacao tao simples com a crise de 1999. Hoje o Brasil eh credor do FMI e temos reservas que nos permite sofrer menos com as crises de outros paises, que na epoca ocorreram em cascata.  Apesar do credito farto, estamos buscando ainda um estimulo a economia para promover crescimemto e a inflacao nao da sinais de sair do controle. Ainda temos a 2.a taxa real de juros mais alta do mundo, talvez por isso a bolsa nao seja tao atrativa assim. Os precos dos imoveis subiram sim, porem nossos salarios hoje sao mais altos que os europeus e proporcinalmente os precos ainda estao baixos. E mesmo se os precos dos imoveis cairem, nao comprometem os bancos porque em ultima instancia o valor do imovel cobre a divida, diferente do que aconteceu nos EUA, e o mercado imobiliario aqui nao eh tao representativo como la, portanto seria um problema menor, alem de nao haver concessao de credito indiscrimidadamente gerando os famosos subprimes. Se temos uma bolha, ela tem atenuantes.
    Quanto as importacoes, acredito que possam aumentar desde que possamos igualmente aumentar nossa exportacoes, e ai sim temos um problema. Mas acho que o maior risco que corremos eh um calote dos PIIGS ou um espirro da China mesmo que de ordem politica. Ai nao vai ter jeito…

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