Baixa produtividade no Brasil: sistema ou indivíduo?

A partir dessa perspectiva a dinâmica de produtividade de uma economia depende de sua configuração setorial. Não se trata então apenas de educar mais ou até mesmo capacitar mais os trabalhadores; se trata de estimular e desenvolver os setores corretos. O padrão de especialização produtiva de uma economia é chave para entender o processo de aumento de produtividade. Ser produtivo significa dominar tecnologias avançadas de produção e criar capacidades e competências locais nos setores corretos. Produzir castanhas de caju ou chips de computador, carros ou sapatos, bananas ou computadores faz diferença. Ou seja, o processo de aumento de produtividade de uma economia não é setor-neutro (depende da composição agricultura, serviços e indústria do PIB) e depende do tipo de produto que um país é capaz de produzir. A produtividade da economia não depende dos indivíduos, é algo sistêmico. Trabalhadores inseridos em setores tecnologicamente sofisticados serão produtivos devido às características intrínsecas do setor e não a dos trabalhadores.



Por que a produtividade da economia brasileira não aumentou nos últimos anos?

5 thoughts on “Baixa produtividade no Brasil: sistema ou indivíduo?”

  1. Prezado prof. Paulo Gala,

    Muito indicativo o seu artigo. Não sou nenhum especialista, contudo desejaria dar um “pitaco”. Precisamos verificar o histórico da América Latina (muitos maldizem o Brasil, mas o “território” atingido pela deficiência é mais abrangente …). Desde a vinda do “colonizador” fomos alijados de qualquer iniciativa de tornar o novo habitante permanente e eficientemente produtivo. Independentemente da América hispânica ter alcançado um status superior a Pindorama, com a criação de vice-reinados e uma tênue implantação da “industrialização” local, o nosso Brazil já estava empenhado para ser fornecedor de matéria prima aos “países centrais”.

    Durante 500 anos (coloniais, “imperiais”, “velho republicanos” e em “desenvolvimento”) do Brasil que conhecemos, tivemos poucas vezes o “leme” da própria iniciativa. Os “viscondes de Mauá” da nossa história somente ficaram como ilustrações ufanistas nos livros.

    O “Establishment”, mesmo “pragmático” para conservar os seus interesses, não desejou alcançar uma “Manchester” no passado nem uma “Cingapura” no presente. Alguns meramente “rentistas”, outros satisfeitos com ineficiência letárgica da economia (desde que não atinja mortalmente seus patrimônios), acalentam o “berço esplêndido”.

    Acordemos, não como Ravengars ou Messias, mas como cidadãos que buscam um país igualitário e fomentador da produtividade, acreditando, principalmente, na resolução das nossas imperfeições.

    Saudações,

    Eugenio Rybalowsky

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