Baumol explica porque a indústria é mais produtiva do que os serviços

Baumol dá uma explicação muito elegante para essa distinção: quando o trabalho é uma atividade fim (educação, saúde e lazer, que são “tecnologicamente NAO progressivas”) a mecanização e alcance de economias de escala é muito mais difícil, se não impossível; ao contrário das atividades em que o trabalho é uma atividade meio, por exemplo manufaturas que são “tecnologicamente progressivas” . Nesse último caso as economia de escala e escopo estão mais presentes, por isso os ganhos de produtividade são muito mais elevados. Algo parecido pode ocorrer com os serviços sofisticados: marketing, design, IT, finanças, advocacia, etc. Para Baumol o aumento de produtividade ocorre principalmente no setor de bens. Os serviços não conseguem aumentar produtividade de forma relevante: músicos, educação, garçons, cabeleireiros. São iguais em todos os lugares. O aumento de produtividade no setor de bens acaba pressionando tbem os salários dos setores de serviços; os preços e salários desse setor sobem, na ausência de aumentos de produtividade. Por isso Cortar cabelo em Zurich fica mais caro do que cortar em São Paulo, apesar da produtividade de nossos cabeleireiros ser a mesma dos suíços. paper aqui

O preço do desenvolvimento

3 thoughts on “Baumol explica porque a indústria é mais produtiva do que os serviços”

  1. Professor, seria possível criarmos um modelo como base nessa argumentação em que a produtividade do trabalho nas atividades em que ele é meio aumentasse incessantemente e a mão de obra fosse progressivamente mudando para os serviços? Nesse caso, seria possível encontrarmos um “ponto de equilíbrio”?

    Considerando que uma parte relevante da mão de obra fosse alocada nos serviços e os ganhos de produtividade da indústria aumentassem, a partir de um certo ponto, apenas de forma marginal, estaria a sociedade como um todo condenada permanentemente a baixos ganhos de produtividade? Mesmo para os serviços sofisticados, como citados no post, não existiria alguma forma de limite para a produtividade no longo prazo? Não dependeriam eles, mesmo que de forma indireta, do dinamismo industrial (finanças, marketing, design, IT)?

    Agradeço desde já,

    Enrique.

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