Bola da vez: ainda Grécia

A crise da zona do Euro tende a se desdobrar como uma velha novela assistida aqui na America Latina nos anos 80 e 90. Chile, México, Argentina e Brasil, endividados, ficavam negociando com o FMI em busca de empréstimos para fechar as contas. O FMI só emprestava sob condições de ajuste fiscal e austeridade, não entregava dinheiro fácil. Só conseguia empréstimos quem ajustava as contas, cortava gastos, etc… Quem não fazia a lição de casa não ganhava. Era o velho jogo do “confidence building”. Países endividados tentando convencer mercados e FMI da sua capacidade de honrar pagamentos e se ajustar. Soa familiar?

Na Europa de hoje, Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha fazem as vezes da America Latina. Precisam desesperadamente de empréstimos do mercado, do FMI e BCE. Na Espanha e Irlanda o endividamento foi primordialmente privado, o problema se concentra nos bancos e no estouro da bolha imobiliária a la EUA. Em Portugal e Grécia soma-se a dívida pública à privada por conta de Olimpíadas, Eurocopa, etc… Então o jogo dos PIGS com os ricos do norte será o seguinte: Ou vcs me emprestam dinheiro rápido e barato ou saímos da zona do EURO e todo mundo dança. E os ricos do norte retrucam: ou vcs arrumam a casa, resolvem a picaretagem da contabilidade pública, cortam gastos, se ajustam etc… ou não emprestamos dinheiro. Vcs que saiam do EURO e todos dançamos.

O problema econômico transcendeu agora para o plano político. É uma decisão dos ricos ajudarem os pobres e sob quais condições. A reciclagem da dívida dos PIGS depende dessa benevolência condicional do BCE e Alemanha. Uma negociação dura para ambos os lados pois todos sabem que os desmantelamento do EURO será a pior solução para todos. Mas a negociação não será fácil pois os ricos do norte não querem um EURO contaminado pela gastança do sul. E os pobres do sul sabem que a festa deles gerou muitos ganhos para o norte. Nos próximos meses, talvez anos, a história européia será essa mesmo. Sem dinamismo, sem crescimento e o risco da dissolução da área monetária indo e voltando. Europa será durante um bom tempo fonte de volatilidade da economia mundial.

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