Brasil no pleno emprego em 2012

Numa definição simples de pleno emprego todas pessoas que querem trabalhar recebendo o salário vigente encontram oportunidade. Associada ao pleno emprego esta a plena capacidade de produção de uma economia ou produto potencial. O máximo que um sistema econômico é capaz de produzir num dado momento do tempo utilizando a plenitude de seus fatores de produção (trabalho, terras, máquinas, equipamentos, etc…) Apesar de imprecisos, são conceitos bastante úteis para se entender o que ocorreu no Brasil de 2012: pleno emprego. Não havia vagas livres em Congonhas (nos dois estacionamentos, muito menos taxis. Guarulhos então nem se fala. Todos estacionamentos num raio de 5km abarrotados. E hotéis? Tudo lotado. Shoppings, cinemas, trânsito! E os restaurantes!? Fila, fila, fila. Os dados do PIB no Brasil em 2011 mostravam isso claramente. As importações crescendo muito para tentar atender essa horda de consumidores. A demanda agregada cresce crescia mais rápido do que nossa capacidade de produção. Enquanto isso, lá nos EUA e Europa de 2012 tudo vazio… Desemprego a 10%, produção e demanda anêmicos, preços dos imóveis caindo, o oposto do que ocorria por aqui.

A questão intrigante para os economistas é porque ocorrem essas grandes oscilações no nível de demanda e produção agregados de um país e mais, se existem mecanismos automáticos capazes de recolocar uma economia na rota do crescimento e do pleno emprego. Para os economistas keynesianos não. Umas das grandes contribuições do velho mestre Keynes foi mostrar que em geral as economias são incapazes de retomar automaticamente a situação de pleno emprego. Ou então quando aceleram, acabam acelerando demais. Daí a necessidade do governo de tentar temperar o ciclo econômico. Nas recessões a queda geral dos preços e do emprego só agravam a crise, jogando a economia cada vez mais para o buraco. Nesses casos, para um economista keynesiano, o governo deve entrar gastando, especialmente investindo, para tentar reativar o tecido econômico. Nas fases de boom, o governo precisa pisar no freio. Retirar um pouco da bebida no auge da festa para atenuar a ressaca depois. Os “agentes econômicos” se embriagam e fazem loucuras. E o governo fica correndo atrás. Se a festa está morna, tenta de tudo para animá-la. Se está fervendo, se vira para tentar acalmar os ânimos. Esse e o tal do comportamento anticíclico sugerido por muitos economistas. A gestão dessas festas não é nada fácil.

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