Breve história de porque o Brasil não deu certo

Até 1980 estávamos entre as 3 economias do mundo que mais cresciam. Durante o milagre econômico iniciado em 1968 dobramos nossa renda per capita. Crescíamos a taxas chineses de mais de 10% ao ano nos 70. Nossas exportações de manufaturados aumentavam e a indústria de sofisticava. Nosso grande erro, porém, foi não ter feito o mercado mundial o motor do nosso crescimento; aqui Coreia do Sul e China acertaram na veia. Lembrado que em 1980 Brasil, China e Coreia exportavam aproximadamente u$20 bilhões de dólares: hoje China exporta mais de 2 trilhões, Coreia 500 bilhões e Brasil 200.

Nosso modelo de desenvolvimento começou com substituição de importações (crise dos 30, JK e milagre) mas não fomos capazes de dar o segundo passo de conquista dos mercados mundiais como Coreia e China fizeram. Com o choque do petróleo dos 70 nos endividamos em dólar e a economia começou mais e mais a se voltar para dentro, aproveitando o amplo mercado interno. As tarifas foram aumentadas e nossas indústrias se expandiram para dentro com muitas ineficiências. Nos anos 80 quebramos, a Coreia também. A dívida externa e os déficits em conta corrente nos colocaram de joelhos. O caso da Coreia foi curioso pois tinha tanta dívida e déficit externo quanto nós; só que a economia coreana estava toda já voltada para fora, com motor de crescimento baseado em exportações. A partir de meados dos 80 já voltava a crescer enquanto o Brasil continuava atolado na crise de dívida, crise fiscal e inflação fora de controle.

O modelo de substituição de importações não funcionou no Brasil e na América Latina. O modelo de promoção de exportações funcionou no Leste da Ásia, na Inglaterra, na Alemanha, nos EUA e nos países nórdicos.

Na década de 90 iniciamos uma nova transição econômica. A abertura da economia, o controle da inflação, a privatização, uma melhora fiscal e novos marcos regulatórios preparam o país para um novo ciclo de crescimento. O período que vai de 1990 até 1999 ficará na história como uma grande fase de ajustamento com crescimento baixo, mas importantes reformas institucionais da economia brasileira. Mas não fomos capazes de fazer uma abertura inteligente com promoção de exportações e inserção das empresas brasileiras no mundo; China e Índia acertaram muito em relação a isso. A sobrevalorização cambial no Brasil decorrente do plano de estabilização castigou nossa indústria doméstica que já estava tentando se adaptar a abertura tarifária; foram dois golpes violentos.

O incrível avanço da indústria automotiva na Índia

Os carros chineses vão invadir o mundo

A grande desvalorização da moeda brasileira pós 2002 e o crescimento da economia mundial atenuaram os problemas dos 90 e nossa indústria voltou a crescer com força até a crise de 2008. A primeira fase do governo Lula foi caracterizada por forte expansão da industria e exportação de manufaturas. Isso pode ser visto na evolução da composição da pauta de exportação e na grande expansão da produção industrial. A segunda fase da era Lula se caracterizou por expansão do credito e retração das manufaturas na pauta de exportação. A crise mundial de 2008 interrompeu a bonança de crescimento externo e cortou a demanda mundial por manufaturas. A reposta da China a crise causou explosão do preço de commodities e reforçou a trajetória de apreciação da moeda brasileira, que já vinha com força desde 2006.

A diferença entre Lula I e II: manufaturas e commodities

A alavancagem de crédito (imobiliário e não imobiliário) provocou um boom de consumo e um boom de construções imobiliárias no Brasil, resultando em grande aumento de endividamento e oferta de imóveis. Os investimentos foram todos direcionados para o setor de non-tradables (prédios comerciais, residenciais e shopping centers). As desonerações do governo Dilma agravaram o problema injetando demanda agregada e complicando a situação de contas públicas. O represamento de preços administrados contribuiu na mesma direção. Em 2015 essas políticas foram revertidas e a bolha que já vinha desinflando estourou. O choque de juros, o realinhamento de preços livres e administrados e a forte desvalorização cambial (também decorrente do estouro da bolha de commodities) deram o tiro de misericórdia na atividade econômica e estouraram a bolha de crédito e consumo.

Como explicar a grande crise do governo Dilma?

O antigo Brasil “errado” estava certo, o atual “certo” esta errado

 

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