A corrida industrial: “ganhadores” e “perdedores” da globalização

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Existe um ditado tibetano que diz que a chave que abre a porta do céu é a mesma que abre a porta do inferno. A globalização funciona de forma similar: aqueles que abriram a porta certa estão muito bem obrigado. Aqueles que abririam a porta errada afundam nas entranhas do purgatório. Os gráficos abaixo mostram a evolução do emprego industrial como proporção do emprego total para diversos países entre 1995 e 2011. Não é difícil perceber quem está bem e quem está mal. Mas e os ganhos de comércio não existem? É claro que existem e os “ganhos de bem estar” decorrentes do comércio são muito importantes. Mas deve haver no caso uma certa “reciprocidade” em termos de sofisticação das estruturas produtivas. Divisão internacional do trabalho a lá vinhos em Portugal e tecidos na Inglaterra não funciona: o primeiro ficou pobre e o segundo ficou rico. Os “descontentes da globalização” como eleitores do Trump e Brexit tem percebido que a situação não está muito boa para eles, por isso pedem mudanças. A América latina segue uma rota parecida: depois de sua abertura comercial nos anos 90 regrediu em termos produtivos e só consegue gerar empregos em setores de serviços não sofisticados. A Ásia do Leste, inclusive China, vai muito bem obrigado nesse quesito (ótimo paper de D. Rodrik que faz análise detalhada dessa dinâmica aqui).

O mapa de ocupações ou empregos, ou estrutura produtiva, diz muita coisa sobre quem é rico e quem é pobre. Países ricos empregam muita gente em seus setores manufatureiros e de serviços sofisticados e têm uma estrutura produtiva complexa. Países pobres não foram capazes de constituir uma estrutura produtiva complexa e são incapazes de constituir e empregar seus trabalhadores em setores de serviços sofisticados. China e Índia têm uma porcentagem baixíssima da população em setores de serviços sofisticados e uma população total enorme. Conseguiram avançar no emprego de trabalhadores no setor manufatureiro e estão caminhando aceleradamente na construção de um sistema produtivo complexo. No outro extremo existem países como Alemanha, Coreia do Sul e Japão com um enorme setor de serviços sofisticados, muita gente empregada no setor manufatureiro e uma estrutura produtiva altamente complexa. O gráfico abaixo mostra de forma resumida o que diferencia um país rico de um país pobre: a estrutura produtiva. No eixo X temos a porcentagem dos empregos de um país em atividades manufatureiras e de serviços sofisticados (http://www.wiod.org/new_site/home.htm). No eixo Y a complexidade produtiva de cada país medida a partir da diversidade e ubiquidade dos produtos encontrados em suas pautas de exportação (http://atlas.cid.harvard.edu/). O tamanho das bolas é proporcional às rendas per capita PPP para 2011. O gráfico mostra claramente o que é um país rico é o que é um país pobre:

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A serie de gráficos abaixo mostra a evolução da estrutura de empregos de diversos países para o período 1995-2011:

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espanha estonia finlandia holanda india indonesia japao mexico polonia rep_checa slovenia turquia uk

alemanha

franca italia portugal

dados de emprego WIOD (http://www.wiod.org/home):

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