Crise cambial e inflação no Brasil

cambio

Acabou o fôlego externo e o cambio disparou. Uma questão da maior relevância no momento e’ o tamanho do passthrough da desvalorização cambial para os preços domésticos. Quanto do aumento dos preços dos bens tradables (negociados no mercado mundial), fruto da desvalorizacao cambial, sera transmitido para os preços non-tradables (serviços principalmente) da economia? Para responder a essa questão temos que olhar para os dois principais mercados de non-tradables do pais: mercado de trabalho e mercado imobiliário. Os dois gráficos abaixo mostram que tanto o setor de construção civil quanto o mercado de trabalho estão na pior situação dos últimos 15 anos.

Se depender da dinâmica desses dois mercados o passthrough não devera ser tao alto quanto no passado. Salários nominais e reais começaram a cair em diversos setores; alugueis e preços de imóveis também. (Para entender melhor o que se passa: O Brasil vive hoje o final de um ciclo de bolha de credito e de commodities, ver economia da bolhaA exaustão do ciclo CCC no Brasil e Passthrough no Brasil. Um bom momento também para ler as Memorias de um latino-americano e Ajustamentos nao lineares da taxa de cambio).

 

PIB_tri

 

* 2 trimestre de 2015desemprego1

 

4 thoughts on “Crise cambial e inflação no Brasil”

  1. Boa tarde Paulo,

    Numa palestra em outubro d e 2015 o ex-ministro Ciro Gomes explica que o grande vilao da inflacao recente no Brasil eh a desvalorizacao rapida do real (ver abaixo) frente ao dolar ja que a maior parte dos insumos nacionais sao importados (quimica dos remedios, trigo, petroleo, etc) e todos os precos das tarifas publicas(GAS, LUZ, TELEFONE, ETC) estao indexados ao dolar, historicamente quando da implantacao do plano real foi a forma de atrair investidores estrangeiros que nao perderiam dinheiro se houvesse inflacao.

    Ele tambem argumenta que o remedio dos juros altos nao seria eficiente no combate a subida de precos por que nossa inflacao nao eh de demanda aquecida, uma vez que, 1/3 da capacidade das industrias instaladas estaria ociosa.

    Gostaria de uma opiniao sua sobre esses argumentos, e possivel estimar uma porcentagem do peso do cambio sobre a inflacao atual de 10%?

    Lilnk para a palestra:

    https://www.youtube.com/watch?v=x_xlDWPgGd0

    A gente tem que se concentrar em emancipar o Brasil”, afirma Ciro Gomes em Seminário de Pauta

    CSB
    Ex-ministro da Fazenda defendeu a democracia e a soberania nacional

    Em sua palestra no Seminário de Pauta, o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes explicou que a crise que enfrentamos ainda é a crise de 2008, resultado do colapso do neoliberalismo. “A política neoliberal adotada pelas grandes potências do mundo causa o mesmo efeito desastroso que um pecuarista, que ao ter uma vaca infestada de carrapatos e resolve que – para solucionar o problema – terá que dar um tiro na cabeça da vaca. Realmente irá resolver o problema dos carrapatos, mas também não teremos mais a vaca. Isso é o que neoliberalismo fez com o mundo”, disse.

    “A crise que vivemos é resultado da decisão que os Estados Unidos tomaram de desregular no limite extremo a economia, e isso afetou todo o mundo. Exemplificando, a crise norte-americana afetou a Europa e atingiu a China. O maior mercado comprador do Brasil é a China, depois Estados Unidos, Mercosul e Europa, ou seja, o esfriamento da economia norte-americana atingiu, sim, o Brasil e é o resultado desse efeito dominó causado pelas políticas neoliberais que estamos enfrentando. A crise de 2008 é quatro vezes pior que a crise da quebra da bolsa de valores de 1929”, explicou Gomes.

    De acordo com ex-ministro da Fazenda, o Brasil não tinha e não tem estruturas políticas e econômicas sólidas o suficiente para lidar com o recuo da economia mundial. “O minério de ferro que antes era exportado do Brasil a 180 dólares este ano está sendo comercializado por 54 dólares. Já o barril do petróleo que era vendido a 100 dólares está sendo vendido por 45 dólares, e essa baixa na compra do petróleo atingiu todas as petrolíferas do mundo não só no Brasil. O que ferrou a Petrobrás não foi a roubalheira horrorosa, a canalhice, não foi o fato de a companhia ser uma estatal, mas sim porque todas as petroleiras do mundo perderam competitividade”, avaliou.

    “Os problemas econômicos que enfrentamos não vem do governo só de agora, é resultado de um desequilíbrio nas contas que ocorre há anos. O Brasil paga por ano hoje 12 bilhões de contas em royalties por uso de tecnologias que importamos. O País tem um buraco de 100 bilhões de dólares no ano. Isso porque a demanda por dólar no Brasil é muito grande e a oferta muito baixa, por isto o preço do dólar está alto”, conta Gomes.

    Além disso, ele explica que o diesel é petróleo, então se sobe o câmbio, sobe o preço do diesel e isto afeta o transporte. “Esta é uma das razões da inflação que estamos assistindo no Brasil. A energia elétrica tem relação com o câmbio”, afirma o político.

    Na palestra, Ciro Gomes defendeu a democracia e soberania brasileira como soluções para a crise. “A política e a reforma política são as únicas formas de mudar o cenário econômico que vivemos. O descontrole da economia e fragilidade política que vivemos têm fortalecido a crise e muito. Nós temos que defender o mandato da presidente Dilma Rousseff, porque, mesmo que a presidente faça um mau mandato, é fundamental defender a democracia, pois no presidencialismo o mandato é nosso, do povo. Caso haja o impeachment, teremos pelo menos 20 anos de democracia comprometidos. Existem caminhos para resolver o problema brasileiro, e ele começa pela baixa dos juros, pela não interefência no valor do dólar pelo governo, além de investir na criação de tecnologia nacional. E temos que fugir desse discurso moralista. A gente não pode confundir a política com novela moralista. A gente tem que se concentrar em emancipar o Brasil”, concluiu.

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