A desigualdade social na era Lula diminuiu, mas o problema fundamental não foi resolvido

Em maravilhoso paper sobre o tema, Hartmann et al (2016) mostram que o enorme avanço em termos de redução de desigualdades da Ásia dinâmica está relacionado ao aumento da sofisticação produtiva e complexidade econômica. A manutenção da desigualdade da América Latina se deve a uma estrutura produtiva ainda “arcaica”, baseada em commodities, de baixa complexidade e que agora regride. Trata-se de um paper que avança a análise anterior dos autores no trabalho Economic Complexity and Inequality . Nesse primeiro trabalho inovador os autores mostram como podemos calcular índices Gini para produtos específicos, o PGI. Qual gini médio associado ao país produtor de tal produto? O resultado do primeiro trabalho mostra que o PGI de commodities é muito alto (desigualdade) e o PGI de produtos complexos é baixo (menor desigualdade). Nesse trabalho atual, inovam ainda mais ao calcular o XGini: o gini potencial do país dada a sua estrutura produtiva (mix de produtos). Países mais complexos caminham para um perfil de PGI melhor e apresentaram ao logo do tempo uma melhora do XGini, ou seja, aumenta muito o potencial de queda de desigualdade ligada à evolução do sistema produtivo. A essa altura do texto não preciso nem mencionar que na Ásia dinâmica tanto PGI quanto XGini melhoraram muito nos últimos 30 anos e na América Latina continuam horríveis, destaque de pior vai para Brasil.

Impactos da complexidade econômica na desigualdade social: América Latina e Ásia dinâmica



 

4 thoughts on “A desigualdade social na era Lula diminuiu, mas o problema fundamental não foi resolvido”

  1. quando vc fala que é mais fácil dar esse salto em países que tem população menor eu também acho que mesmo o brasil tendo 200 milhões de hab. ele tem essa capacidade porque tem grande arrecadação e mais mão de obra pra ser qualificada se for pensar nesse quesito.

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