A China “destruiu” o Brasil com dois golpes fatais

A China deu dois golpes fatais no Brasil nos últimos 20 anos. Por um lado desalojou nossa industria no mercado interno e no mercado mundial com custos baratos, dumping, cambio ultra competitivo e escalas de produção sem precedentes. Por outro lado ao consumir nossa soja e nosso mineiro de ferro forçou nossa especializacao produtiva nesse sentido, ampliando os mecanismos de doença holandesa. Desmontamos nossas industrias e nos tornamos meros fornecedores da matérias primas brutas e importadores de bens industriais da China. O dumping cambial chinês foi encontrado aqui com sobrevalorização de nossa moeda graças ao boom de preços das commodities provocado pela própria China. Lembrando que em 1980 nossa produção industrial era maior do que a chinesa e coreana somadas e que individualmente exportávamos mais do que cada um desses países. A China “destruiu” o Brasil!



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17 thoughts on “A China “destruiu” o Brasil com dois golpes fatais”

  1. Acredito que a frase ‘a China destruiu o Brasil’ é um equívoco ou uma provocação; primeiro porque atribuir uma intencionalidade política analisando apenas dados econômicos é bastante reducionista e segundo porque esconde as consequências de nossa falta de ação no campo do empreendedorismo. O mundo desenvolvido joga o jogo da Propriedade Industrial, e a China aprendeu a jogar. Apesar de termos sido um dos primeiros países a termos alguma legislação sobre a proteção de invenções, somos para o mundo da PI como aqueles países que são eliminados nas oitavas de final. Hoje a China é quem mais deposita patentes no mundo e todos os argumentos contrários de que tentam desclassifica-la quanto a qualidade das patentes e dos produtos manufaturados estão caindo por terra. Apesar de todos os acertos que tivemos na condução da política nacional dos anos petistas tivemos também erros monumentais. Mas é claro que nem tudo é condução política quando temos umw economia livre que deveria ter suas próprias iniciativas. A verdade é que existe uma cultura ruim por parte dos grandes empresários, quando muito dispostos a importar uma tecnologia ao invés de desenvolve-la. Ao exemplo da frase motivadora deste comentário lanço minha frase provocadora: Nosso grande empresário é parte de uma elite de rapina preguiçosa e ignorante.

  2. Amigo, por que você acha que a destruição do poder de compra da moeda vai salvar a indústria brasileira e ao mesmo tempo torna-la competitiva num mundo globalizado? Não lhe parece mais adequado que o fracasso da industria brasileira se deva à carga tributária (34% contra 17% dos chineses), ao protecionismo (8% de tarifas médias contra 3% dos chineses), a infraestrutura precária e ao governo crescendo sua participação no PIB ano após ano (o que faz deixar menos recursos para o setor privado e, consequentemente, para a industria)?

  3. Gostei do seu trabalho, e assisti todo o video. Concordo com muita coisa que você falou, até por que você tem uma maior instrução e possui maiores fontes que eu. Agora um fato que você não citou, é que a china não destruiu só a industria brasileira, mas destruiu e continua a destruir a economia do mundo todo, inclusive do EUA, e faz isso por que alem do fator cambio, e do fator impostos e legislação, mas principalmente por causa da escala de produção.
    A china está espalhando essa doença Holandesa ao mundo, começou inundando mercados com manufaturados mais simples, e hoje ja possui tecnologia pra construir inclusive aviões e bens de altissima tecnologia. A china tem 1,318 bilhões de cabeça pra alimentar , e resolveu dar um jeito nessa questão produzindo bens manufaturados , enquanto importa comida e matéria prima . è peverso, mas não vejo um jeito de melhorar isso no curto prazo, mesmo que a gente desvalorize o cambio, eles ganham em escala, e cambio desvalorizado demais aumentará a inflação. O calcanhar de aquiles chinês se chama petróleo, e não me admirará que os EUA faça alguma guerra, pra subir o valor do petróleo nos próximos anos.

  4. Já que você provocou no título vou provocar no comentário. Guardada as devidas e respeitosas diferenças de opinião, e que me considero um mau opinador nisso tudo lá vai: hahaha, que piada. Brasileiro não precisa de chinês para destruir o Brasil. Isto ai aconteceria de qualquer jeito, fossem chineses, americanos, russos, quem fosse o mais forte, o brasileiro estaria lá para engrachar seus sapatos. Esta análise serve para o mundo, mas mesmo neste caso, o mundo aceitou o serviço da China… é que nem igreja, a culpa é do pastor? Não, pois se ninguém fosse lá o pastor fechava e ia embora. Aliás, todo mundo fala de bolsa família, mas a indústria brasileira estava sempre chorando as jabuticabas para o governo que comprometeu o BNDS emprestando dinheiro para indústrias falidas e sem futuro, empresário brasileiro de indústria sempre gostou de um governo ‘generoso’. O próximo artigo será sobre nióbio? Porque petróleo o Lula já usou…

  5. Desempregados não compram gadgets chineses. Pessoas de baixa renda, possivelmente os consomem, mas numa escala mínima (que ainda satisfaz os “novos mandarins” …).

    Num país em que a renda continua sendo mal distribuída, chegaremos a situação na qual os parcos reais somente servirão para adquirir farinha (de mandioca) para a sobrevivência. Precisamos de empreendorismo, espirito cepalino, contudo mais Furtado que Prebisch (apesar de desenvolvimentista, o âmago era liberal …). Educação acessível para todos. Junto com as “plantations” deve conviver a agricultura familiar (amparada, principalmente, no conhecimento e na tecnologia).

    Não precisamos de um Trump, que quer a volta do “American Dream” para os seus conterrâneos que não tiveram a maior “oportunidade” somada a melhor educação (apesar dos Gates, Zuckerbers e Jobs …). Necessitamos de um arcabouço institucional (publico e privado) que apoie e estimule todos a buscarem e realizarem (não somente receberem) o próprio “gold dream” (apesar que numa transição, os “feridos” precisam receber o essencial amparo, mesmo que temporário).

    Poderemos, então, todos de “barriga cheia”, como estão atualmente os chineses, também vender-lhes usinas, soja, computadores, minério de ferro e até “dispositivos baratos”. Se formos competitivos e eficientes eles também não poderão nos fechar o seu gigantesco mercado consumidor.

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