Explicação da riqueza e pobreza dos países no mundo em um único gráfico: produtividade nas exportações

A Dinamarca empregava 414.000 pessoas nos setores de manufaturas, mineração e agricultura e exportava U$88,4 bilhões em 2010, U$213.000,00 per capita exportado no ano. O Senegal empregava 2.673.000 nesses mesmos 3 setores e exportava U$2,5 bilhões em 2010, U$939,00 por ano per capita. Uma diferença de 230x. Claro que parte do que se exporta e’ importado antes, especialmente na Dinamarca, então teríamos que descontar da exportação a importação direta relacionada (dados bem mais difíceis de se conseguir), além do consumo interno; ainda assim, da para perceber a brutal diferença de produtividade de um trabalhador dinamarquês em relação a um senegalês. Essa diferença se encontra nesse setor de bens transacionáveis (agricultura, mineração e manufaturas) como bem lembravam Samuelson, Balassa e Baumol ao seu modo. O gráfico mostra essa relação para 38 países com dados disponíveis: exportações per capita do setor de bens transacionáveis e renda per capita. Não precisamos de muita coisa para explicar por que os países ricos são ricos, basta olhar para o setor de bens transacionáveis para entender.

No gráfico abaixo vemos a relação de exportações per capita de tradables (ou bens transacionáveis) e complexidade dos bens produzidos, novamente uma relação muito forte. Os bens complexos são as manufaturas, os bens não complexos são as commodities. São ricos os países que se especializam em produzir e exportar manufaturas, são pobres os países que se dedicam APENAS a produzir e exportar bens agrícolas e commodities. Samuelson e Balassa escreveram quase que simultaneamente o que ficou conhecido na literatura como efeito Balassa Samuelson: os ganhos de produtividade de um economia ocorrem principalmente no setor de bens transacionáveis (manufaturas e commodities) e não no setor de bens nao tradables (serviços). Esses aumentos de produtividade no setor de tradables causa aumento de salários que transborda para o setor de não tradables. Baumol fala a mesma coisa só que usa a divisão serviços e bens. Para Baumol o aumento de produtividade ocorre principalmente no setor de bens. Os serviços não conseguem aumentar produtividade por definição: músicos, educação, garçons, cabeleireiros. São iguais em todos os lugares. O aumento de produtividade no setor de bens acaba pressionando tbem os salários dos setores de serviços; os preços e salários desse setor sobem, na ausência de aumentos de produtividade.

Dados de emprego aqui: http://www.rug.nl/ggdc/productivity/10-sector/

Dados de exportações e complexidade aqui: http://atlas.media.mit.edu/en/

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