Formigas, cigarras e gafanhotos na economia mundial

Martin Wolf, hoje talvez o mais importante colunista do Financial Times deu certa vez uma curiosa explicação sobre a situação do mundo hoje. Sua história começa com o conto das cigarras e formigas adaptado aos dias de hoje. As cigarras são o povo americano que não param de consumir, as formigas, os asiáticos, que produzem demais e estão sempre com excedentes de poupança. Só que nesse conto, as formigas dependem das cigarras pois elas não consomem o que produzem nem no inverno. Ou seja, sem o consumo das cigarras o formigueiro pára. Tem também os gafanhotos, que representam o mercado financeiro.

Fora de controle destroem toda a plantação e não deixam pedra sobre pedra, um pouco do que vimos por lá na crise de 2008. É claro que são importantes para o ecossistema ao financiar produção, gerar liquidez, fornecer hedge, etc, etc… mas fora de controle uma nuvem dessas acaba com formigas, cigarras e tudo o mais. Para Wolf, essa nuvem de gafanhotos foi solta nos últimos anos a partir da desregulamentação dos mercados financeiros, da política de juros extremamente baixos e por equívocos monumentais da ciência econômica. Achava-se que um gafanhoto sempre produziria resultados ótimos, no matter what. A idéia de racionalidade dos mercados e a noção de que um regime de metas de inflação (grande moderação) são suficientes para manter a estabilidade de uma economia caíram por terra. E contribuíram muito para a crise de 2008. As formigas asiáticas também ajudaram pois pouparam demais acumulando quase 5 trilhões de dólares em reservas cambias.

Ao usar esses recursos para comprar títulos públicos americanos acabaram forçando as taxas de juros para baixo, contribuindo para a festa das cigarras americanas. E estas agora estão todas mortas. Consumiram como se não houvesse amanhã, nem inverno e agora morrem de fome. Como um bom britânico, Martin Wolf desdenha um pouco do resto da Europa. Acha que há chances de rupturas na zona do EURO. Existe aqui uma importante diferença entre grandes e pequenos endividados. Os grandes, especialmente EUA e Japão, vão continuar com dívidas crescentes e juros cadentes, pois seus passivos têm aceitação incondicional. Já os pequenos podem ter problemas pois dependem do Banco Central europeu para comprar suas dívidas. Os Europeus socorrerão seus fracos, que representam pouco em tamanho de PIB, mas ainda assim Europa pelos próximos dez anos seguirá com dificuldade.

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