Lewis point no Brasil em 2012?

Nosso desemprego está nos menores níveis dos últimos 30 anos e a criação de vagas formais atinge recordes históricos. O número de trabalhadores com vínculo formal na economia aumentou em mais de 10% nos últimos anos e as contribuições para a previdência tem também aumentado muito. O mercado de trabalho brasileiro está de fato aquecido e os setores ligados a produção de bens de consumo para a população de baixa e média renda se beneficiarão bastante. Nosso crescimento será puxado pelo motor interno. As transformações recentes em nosso mercado de trabalho são, na verdade, fruto de um processo estrutural mais profundo e importante. Estamos agora colhendo os benefícios da transição demográfica feita nos 70 e início dos anos 80.

Pela primeira vez na história do país o número de jovens que chega ao mercado de trabalho está diminuindo. Em 2005 o número absoluto de jovens brasileiros (entre 15 e 24 anos) caiu de 35 milhões para 33,9 milhões em 2009. Essa redução de oferta de trabalho relativa fará com que os salários reais passem a aumentar de forma consistente daqui para frente. No jargão dos economistas, parece que estamos passando do ponto de inflexão do modelo de Lewis, situação na qual os salários reais sobem, pois a mão de obra excedente começa a desaparecer. Se isto de fato se confirmar será uma notícia fantástica para o país pois finalmente teremos um verdadeiro mercado de consumo de massas. A ascensão da classe C, que hoje já é 50% da população, está intimamente ligada a esse processo. O crescimento dos shoppings centers, a construção civil para a baixa renda, a explosão de venda de eletrodomésticos são todos exemplos desse fenômeno. Nessa esteira, nosso mercado de capitais também se beneficiará, obviamente. Empresas ligadas a infraestrutura, logística, consumo, etc… apresentarão bom crescimento.

empregos

 

6 thoughts on “Lewis point no Brasil em 2012?”

  1. Não contava com os resultados catastróficos da nova matrix do 1° governo Dilma quando escreveu esse artigo não é não ? rs

    Parece que estimular consumo(ainda pior sem acompanhamento do aumento da produção!), forçar subida de salários, sem a contra partida do aumento de produtividade (leia-se lucro) resulta numa forma fatal para acabar com a economia de um país (leia-se piora dos fundamentos). (fórmula essa conhecida pelos economistas há muitos anos,)

    a solução agora é resgatar a produtividade reduzindo salários, e tentar frear o crescimento do rombo deixado pelo governo anterior aumentando impostos, para quem sabe conseguir comecar a reduzir a dívida.

    vamos torcer pelo ajuste fiscal para ele salvar o país, pois a renda “conquistada” pelo brasileiro já foi pro vinagre com a inflação e a alta dos juros.

    1. Pois é, infelizmente estamos sofrendo de um problema que alguns economistas têm chamado de “armadilha da renda média”. Atingimos o “ponto de Lewis” mas nossa estrutura produtiva está regredindo graças a desindustrialização. Ou seja, esgotamos nosso estoque de mão de obra disponível sem termos conseguido entrar numa dinâmica virtuosa de indústria e produtividade a lá Ásia. Geramos vagas em setores de baixo dinamismo e baixa produtividade. Tenho escrito bastante sobre isso no BLOG e na imprensa usando o Atlas da Complexidade Econômica para ilustrar meu ponto de vista!

      1. ao meu ver, a culpa em grande parte é das nossas leis, que são muito obsoletas e mal feitas, e a capacidade do executivo de “impor” leis já se mostrou uma arma que só fere a nós mesmos. Apesar da corrupção ser um cancer para a economia, ela está presente em todos os lugares do mundo moderno, e nem por isso os outros países deixam de crescer e produzir bem estar social, mas a insegurança que o empresariado tem em investir nesse país é uma das principais entraves ao crescimento/desenvolvimento ao meu ver. Se investe aqui para obter retornos em 4 anos ou menos, já que no próximo governo tudo pode mudar, inclusive as condições de viabilidade dos negócios, e por isso o prêmio pelo risco aqui é muito elevado. Isso gera uma cadeia que se auto alimenta e corrói nosso desenvolvimento (como atração de capital especulativo, elevados preços, baixo investimento, em qualificação mão de obra e maquinário, etc…) Quando se visita indústrias na américa latina em países que estão muito mais atrasados do que o brasil, se percebe que o nível de investimento em mão de obra e tecnologia está mais avançado que o nosso (por exemplo: no chile dificilmente se vê um trabalhado utilizando ferramentas manuais de baixo desempenho) pois fora do Brasil tudo é acessível às empresas e pessoas. pequenas construtoras fora de nosso país usam ferramentas manuais de qualidade e desempenho muito superiores às utilizadas pelas grandes construtoras do nosso país, como odebrech, oas, camargo etc…
        quando se sai um pouco para fora se percebe realmente a profundidade do buraco que o nosso país está enterrado

  2. acredito que uma dos motivos que leva à desindustrializacao é justamente o medo de investir devido ao risco jurídico de nosso país. ter mão de obra mais cara não é desculpa para perda de competitividade. veja o custo da mao de obra de paises como eua, alemanha, coreia, etc… uma das coisas que poderia nos tirar desse caminho é justamente P&D, mas quantas empresas realmente gastam pesado nisso que são brasileiras ? as grandes sao extrangeiras q fazem seu P&D lá fora, ou seja, importamos tudo que é produtivo. tudo isso ocorre, em grande parte ao meu ver, devido a essa insegurança legislativa que nosso país proporciona às empresas.

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