Impressão de moeda e inflação nos EUA

Por incrível que pareça muitos economistas acreditam ainda que impressão monetária gera necessariamente inflação. Nunca se imprimiu tanto dinheiro nos EUA, a inflação por lá está no nível mais baixo de décadas; aliás grande preocupação do FED. Acreditar que impressão monetária gera necessariamente inflação significa ignorar os canas de crédito, confiança, demanda por liquidez e demanda por ativos. No caso americano a liquidez criada está levando a bolhas de ativos ou entesouramento de liquidez; ou seja, pouca ativação do sistema econômico.

O gráfico acima apresenta a evolução do balanço do FED desde que a crise começou.  Mais de 2 trilhões de dólares foram impressos e nada da inflação subir. Os ativos financeiros subiram bem e as bolsas mundiais estão em “all time high”. Mas o crescimento americano continua lento e a inflação baixa.

5 thoughts on “Impressão de moeda e inflação nos EUA”

  1. Um dos grandes problemas é sempre considerar a hipótese “coeteris paribus”, que tem sua validade no que tange à explicação da variável em questão, em termos puros. No entanto, desconsiderar o movimento de outras variáveis é perigoso.

    Não se pode analisar o comportamento de uma variável, no mundo real, sem considerar o cimportamento de outras variáveis que estão correlacionadas.

  2. Eu acho mesmo é que o senhor ainda não compreendeu o que é inflação para a tradição neoclássica, dado que a confunde com nível de preços. Eu também vi sua crítica no facebook se referindo ao monetaristas a respeito disso. Bem, então neste caso eu percebi que o senhor não tem a menor ideia do que diz a TQM a respeito da relação entre moeda e preços.

    A ideia aqui é que quando a quantidade de moeda – EM CIRCULAÇÃO – aumenta a taxas superiores as do crescimento do produto, teremos aumento dos níveis gerais de preços. E sabemos que, antes da crise de 2008, o Federal Reserve havia derrubado os juros de 7% a.a. para 1% a.a. e concomitante a isso ocorreu um brutal aumento de crédito na economia americana. Isso teve impacto direto no mercado imobiliário e no mercado financeiro. O Nouriel Roubini, inclusive, previu a bolha ao detectar uma forte valorização nominal das ações na NYSE, para não a brutal valorização nos imóveis. Sem a farra de liquidez promovida pelo FED, nada disso teria acontecido.

    A questão é que após o estouro da bolha e início da crise de 2008, o governo americano lançou três rodadas de injeções de liquidez, os chamados Quantitative Easing. É aqui que mora a sacada que os desenvolvimentistas não compreenderam. Os QE’s foram usados para limpar os balanços dos bancos e evitar um quebradeira geral, não necessariamente para reaquecer a economia. Tanto é que o próprio Federal Reserve, temendo um surto de preços, passou a pagar aos bancos um pequena taxa de juros para que mantivessem esse dinheiro nas reservas.
    O resultado é que as reservas bancárias aumentaram e a oferta de crédito caiu de 1,8 trilhões para 1,2 trilhões de dólares. Somente em 2014 a oferta de crédito nos Estados Unidos retornou à 1,8 trilhões e atualmente está em 2,2 trilhões, um crescimento de 22,2% no período em que a economia americana cresceu 26,5%.

  3. Bom dia.
    A expansão da base monetária (quantidade de dinheiro em circulação) deve ser proporcional ao aumento da atividade econômica. Portanto, só ocorrerá inflação, caso a expansão monetária seja superior ao crescimento da economia. Assim como ocorrerá deflação e ou depressão econômica se o Sistema Bancário promover retração da base monetária (aumento da SELIC), ainda que haja força de trabalho suficiente.

    O que ocorreu da “crise financeira do subprime” para cá foi uma transferência da poupança mundial (fundos de pensão, poupança e aplicações em renda fixa) para as mãos dos banqueiros Illuminados do Federal Reserve e das corporações estadunidenses, após terem pressionado o Congresso daquele país a aumentar o teto do endividamento e imprimir dinheiro sem lastro.

    É preciso ter clareza que o único modo de se gerar equidade mundial será extinguindo o Sistema Bancário com a concomitantemente transferência da emissão monetária para o governo do reino. Este irá expandir a base monetária de acordo com o crescimento do mercado consumidor (nascimento).

    O desdobramento deste modelo é que o governo federal não coletará mais impostos, Títulos de Dívida Pública serão extintos, não haverá mais inflação ou cobrança de juros e o melhor de tudo, o dinheiro será disponibilizado sem custos nas mãos das famílias que irão consumir e transferirão este capital para quem serve e produz.

    A consequência disto é que haverá um salto dos ricos meritocráticos dos 20% atuais para próximo de 100% e não haverá mais fome, escassez ou miséria.

    É óbvio que será condição sine qua non a implementação de uma ampla reforma agrária de modo que não haja gargalo na produção de alimentos.

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