A moeda não é neutra, nem o câmbio!

Uma das grandes controvérsias entre economistas até hoje diz respeito à chamada questão da neutralidade da moeda. Para economistas de corte mais keynesiano, a moeda tem efeitos reais na economia, ou seja, é capaz de afetar nível de produção, emprego e renda. Para economistas da linha neoclássica a moeda tende a ser neutra, especialmente no longo prazo. Quer dizer, injeções de moeda no sistema apenas causam inflação, não alterando o curso das variáveis reais. Esse, alias, foi o grande ponto da revolução keynesiana. No seu primeiro livro, Treatise on Money, Keynes acreditava ainda na visão quantitativista da moeda MV=PQ, onde M é a quantidade de moeda, V é a sua velocidade de circulação, P nível de preços e Q nível de produção.
Segundo essa visão, V tende a ser constante, logo aumentos de M causam aumentos de P, para um mesmo Q. Um dos grandes passos intelectuais de Keynes foi romper com essa visão, ao perceber que V poderia ser muito volátil, ou seja, a velocidade de circulação da moeda poderia variar muito devido a mudanças nas preferências da demanda por liquidez. Na Teoria Geral, Keynes desenvolve a idéia de preferência pela liquidez. Procura demonstrar os motivos para se demandar moeda e liquidez em determinadas situações econômicas. E aqui entra seu conceito de incerteza. Na presença de uma ignorância muito forte em relação ao futuro, um ativo ultra líquido (moeda) é capaz de oferecer proteção aos portfólios dos investidores. Ou como diz Keynes: ‘our desire to hold money as a store of wealth is a barometer of the degree of our distrust of our calculations and conventions concerning the future … The possession of actual money lulls our disquietude; and the premium which we require to make us part with money is the measure of the degree of our disquietude’.



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