O estouro da bolha brasileira

O gráfico acima mostra a evolução da absorção doméstica da economia brasileira no pós crise de 2008 (consumo das famílias, gastos do governo e investimento). A taxa de 10% ao ano era claramente insustentável, com ampliação de 8% do PIB e o restante sendo financiado por deficit externo com explosão das importações. A alavancagem de crédito (imobiliário e não imobiliário) provocou um boom de consumo e um boom de construções imobiliárias, resultando em grande aumento de endividamento e oferta de imóveis. Os investimentos foram todos direcionados para o setor de non-tradables (prédios comerciais, residenciais e shopping centers). As desonerações agravaram o problema injetando demanda agregada e complicando a situação de contas públicas. O represamento de preços administrados contribuiu na mesma direção. Em 2015 essas políticas foram revertidas e a bolha que já vinha desinflando estourou. O choque de juros, o realinhamento de preços livres e administrados e a forte desvalorização cambial (também decorrente do estouro da bolha de commodities) deram o tiro de misericórdia na atividade econômica e estouraram a bolha de crédito e consumo. O PIB de 2015 caiu 3,8%.
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4 thoughts on “O estouro da bolha brasileira”

  1. Concordo parcialmente com sua análise, mas creio que a maxi-desvalorização que incentivou ajuste externo, a inflação decorrente e liberação de preços administrados, bem como desemprego galopante que derrubou demanda agregada (via queda de renda real) baixou a inflação. Não há bolha de consumo com 30% de ociosidade na capacidade instalada. As desonerações não foram investidos em projetos de ampliação do parque fabril. Apenas aumentaram os lucros que foram investidos no mercado financeiro. Tomará que haja reversão também nessa área e empresários voltam a investir no próprio negocio em vez de buscar renda fixa. o próprio gráfico demonstra que a queda de PIB é muito mais em função de queda de consumo interno que queda de exportações (que pelo contrário, devido ajuste cambial está reagindo).

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