O jogo do confidence building

Começou na Europa e não funciona. Já vimos isso aqui na América Latina. Os mercados não acreditam na sustentabilidade da dívida e começa uma corrida contra a moeda e contra os títulos públicos. México 1994, Brasil 1998 e Argentina 2001. Os reis do “confidence building” por aqui eram Menem e FHC. Me lembro bem das brilhantes aulas do ex-ministro Bresser-Pereira dizendo que essa história de “confidence building” para agradar mercados não funciona. Como é isso? O país deve se comportar como “bom menino”, fazer reformas, cortar gastos públicos que o mercado irá então financiá-lo. Só que isso não funciona. O corte de gastos agrava a recessão, reduz a base de arrecadação e piora ainda mais as contas públicas. Não funciona mesmo. Não deu certo aqui na América Latina e não vai dar certo na Europa. Os PIGS não vão sair do buraco jogando esse jogo.

E ainda por cima vem aquele papinho de reformas estruturais bla, bla, bla que cansamos de ouvir por aqui nos anos 90. Que sem essas reformas o Brasil não cresceria, a mesma ladainha que se ouve na Europa hoje em relação a Portugal e Grécia. O que resolveu mesmo por aqui foi a deval de 1999 e depois a de 2002 que recolocou a economia brasileira nos trilhos e trouxe de volta o crescimento a partir da recuperação da competitividade internacional. Os reis da ortodoxia na Europa vão dizer que só com reformas estruturais e cortes de gastos o crescimento será retomado. Será? Não será! A Europa só vai afundar mais e mais em recessão! E a relação dívida PIB dos PIGS vai aumentar mais e mais. No curto prazo as intervenções do BCE continuarão a socorrer os PIGS para que não haja calote. Mas daí a dizer que haverá uma recuperação do crescimento, do emprego e da renda são outros quinhentos. Os PIGS vieram para ficar.

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