O “S” do desenvolvimento econômico: Coreia foi, Brasil ficou!

O “S” do desenvolvimento econômico desenvolvido por Pinheiro et al 2018 (https://arxiv.org/abs/1801.05352 ) mostra como os países se desenvolvem a partir de uma leitura ou “raio X” dos sistemas produtivos. Conforme as nações crescem e se desenvolvem seus sistemas produtivos passam a dominar técnicas mais avançadas, passam a ser capazes de produzir coisas mais sofisticadas e complexas. O indicador de complexidade econômica mostra isso no eixo X; o eixo Y mostra a proximidade do sistema produtivo do país em relação a produtos complexos.

A linha vermelha corta o grafico na zona de correlacao zero. Acima disso a correlacao do sistema produtivo dos paises com produtos complexos comeca a aumentar, entao isso funciona como uma especie de atrator! Os sistemas produtivos vao sendo puxados para cima. Abaixo da linha vermelha o atrator puxa baixo no sentido de produtos pouco sofiticados e commodities (doenca holandesa). Existe ai uma especie de velocidade de escape da pobreza, no sentido de lancamento de foguetes e forca gravitacional. Com essa nova ferramenta podemos ver coisas que não víamos no passado. Não basta um país se industrializar para crescer e se desenvolver; precisa avançar em termos produtivos e tecnológicos para dominar produtos e mercados de bens mais sofisticados. Na parte superior do “S” temos hoje os países mais ricos do mundo. A Coréia do Sul foi talvez o melhor exemplo do século XX de transição bem sucedida de país pobre para país rico. O Brasil chegou na metade do caminho, se industrializou, mas como podemos observar no gráfico, parou na armadilha da renda média!

A curva em S mostra que sistemas produtivos de baixa complexidade econômica estão associados a opções produtivas de baixa complexidade. Sistemas produtivos de alta complexidade estão associados a opções produtivas de alta complexidade. O conhecimento das pessoas e dos países está incorporado nas tecnologias produtivas; podemos fazer a leitura da teoria do crescimento que diz que o grosso da produtividade dos países é explicada por aumento de conhecimento e capacidade tecnológica (resíduo de Solow) usando o conceito de complexidade econômica; quanto mais complexo é um país mais conhecimento ele tem dentro do seu sistema produtivo. Nessa perspectiva teremos também que levar em conta as questões relativas a economia do conhecimento: produtos com maior conteúdo tecnológico trarão poder de monopólio para as empresas em geral, apresentarão economias de escala e escopo.

Por exemplo Japão esteve nos últimos 20 anos muito próximo de produzir os bens mais sofisticados do mundo. Brasil e Chile muito longe. Coreia do Sul, Cingapura e Irlanda conseguiram transitar das baixas possibilidades para as altas possibilidades. O que toda essa análise mostra no fundo é que quem é complexo tem alta probabilidade de continuar complexo e quem não é costuma ficar preso (lock in) num sistema de baixa complexidade. Em português claro: qual a chance de um país africano produzir carros, aviões, química fina e produtos da mecânica de alta precisão? As vantagens comparativas adjacentes dos países pobres dificilmente vão tirá-los dessa situação. As vantagens comparativas dos ricos provavelmente irá mantê-los nessa situação. Como dar o pulo do gato para transitar do primeiro estágio do gráfico para o terceiro? Essa é a pergunta chave para entender como um país se desenvolve.

paper aqui: https://arxiv.org/abs/1801.05352

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