Países inovadores e complexos

Para os autores clássicos do desenvolvimento econômico as atividades produtivas são diferentes em termos de suas habilidades para gerar crescimento e desenvolvimento. Atividades com altos retornos crescentes de escala, alta incidência de inovações tecnológicas e altas sinergias decorrentes de divisão do trabalho dentro das empresas e entre empresas são fortemente indutoras de desenvolvimento econômico (Reinert 2009, pg. 9). São atividades onde em geral predominam competição imperfeita e todas as características desse tipo de estrutura de mercado (importantes curvas de aprendizagem, rápido progresso técnico, alto conteúdo de R&D, grandes possibilidades de economias de escala e escopo, alta concentração industrial, grandes barreiras à entrada, diferenciação por marcas, etc…).

Esse grupo de atividades de alto valor agregado se contrapõe às atividades de baixo valor agregado, em geral praticadas em países pobres ou de renda média com típica estrutura de competição perfeita (baixo conteúdo de R&D, baixa inovação tecnológica, informação perfeita, ausência de curvas de aprendizado e possibilidades de divisão do trabalho (Reinert e Katel 2010, pg 7.) Para esses economistas o aumento de produtividade de uma economia viria justamente da subida da escada tecnológica, migrando de atividades de baixa qualidade para as atividades de alta qualidade, rumo à sofisticação tecnológica do tecido produtivo  (Bresser-pereira 2014, pg.103). Para isso a construção de um sistema industrial complexo e diversificado é fundamental, sujeito a retornos crescentes de escala, altas sinergias e linkages entre atividades (Reinert 2010, pg.3). A especialização em agricultura e extrativismos não permitiria esse tipo de evolução tecnológica. Os gastos de R&D, pesquisa e patentes dependem muito do tipo de atividade exercida em cada pais, algo que fica claro no mapa da complexidade acima e nos gráficos de gastos de P&D, numero de pesquisadores e patentes por países abaixo.

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*capacidade tecnológica medida como gastos em P&D e número de patentes nos EUA, “Schteingart, D. (2014): Estructura productivo-tecnológica, inserción internacional y desarrollo, Tesis de Maestría en Sociología Económica, IDAES-UNSAM”. 

boa tese sobre o tema aqui: http://web.isanet.org/Web/Conferences/FLACSO-ISA%20BuenosAires%202014/Archive/52b1b59a-9145-4375-b07a-3ce4f97fb71f.pdf

Referencias

1. Rainer Kattel & Erik S. Reinert, 2010. “Modernizing Russia: Round III. Russia and the other BRIC countries: forging ahead, catching up or falling behind?,” The Other Canon Foundation and Tallinn University of Technology Working Papers in Technology Governance and Economic Dynamics 32, TUT Ragnar Nurkse School of Innovation and Governance.

2. Erik S. Reinert, 2010. “Developmentalism,” The Other Canon Foundation and Tallinn University of Technology Working Papers in Technology Governance and Economic Dynamics 34, TUT Ragnar Nurkse School of Innovation and Governance.

3. Rainer Kattel & Jan A. Kregel & Erik S. Reinert, 2009. “The Relevance of Ragnar Nurkse and Classical Development Economics,” The Other Canon Foundation and Tallinn University of Technology Working Papers in Technology Governance and Economic Dynamics 21, TUT Ragnar Nurkse School of Innovation and Governance.

4. Bresser-Pereira, L.C., 2014, A Construção Política do Brasil, editora 34, São Paulo, Brazil

5.  C. A. Hidalgo, B. Klinger, A.-L. Barabási, and R. Hausmann, “The Product Space Conditions the Development of Nations”, Science 27 July 2007: 317 (5837), 482-487. DOI:10.1126/science.1144581

3 thoughts on “Países inovadores e complexos”

  1. Gastos com patentes é ótimo

    Sendo que os três vencedores do capitalismo, Alemanha e seus apêndices do norte Suécia e Holanda, EUA e Japão quebravam patentes até cansar enquanto estavam se desenvolvendo. Na verdade, o regime de patentes só se tornou mais bem estruturado após a Segunda Guerra. Antes era uma bagunça

    Coreia do Sul, um dos países do nível que eu chamo meio-broxas alto (CdS, Inglaterra, França, Austrália, Canadá), nunca respeitou o sistema de patentes, nunca. Até hoje vive tomando processo por quebrar patentes e pouco se importa com isso.

    Já o Brasil, enquanto continuar respeitando essa bobagem de patentes, vai continuar fazendo parte do ciclo de países meio-broxas ao lado de Argentina, China, Rússia, Espanha, Itália, Portugal, Grécia, Irlanda, etc.

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