Preços de bens transacionáveis e não transacionáveis no Brasil dos últimos 20 anos

grafO índice acima mostra a relação entre preços de bens transacionáveis e não transacionáveis no Brasil dos últimos 20 anos medidos a partir do IPCA do IBGE, uma medida de cambio real. A serie tem inicio em janeiro de 1995 e termina em Novembro de 2015. A cesta de preços de bens transacionáveis ou comercializáveis e’ composta por alimentos industrializados e semi-elaborados, artigos de limpeza, higiene e beleza, mobiliário, utensílios domésticos, equipamentos eletro-eletronicos, veículos, álcool combustível cama/mesa/banho, fumo e bebidas, vestuário e material escolar. A cesta de bens não comercializáveis e’ composta por produtos in natura, alimentação fora do domicilio, aluguel, habitação, despesas operacionais, seguros, reparos, lavagem e estacionamento de veículos, recreação e cultura, matricula e mensalidade escolar, livros didáticos, serviços médicos e serviços pessoais.

Esses preços não incluem os chamados monitorados: serviços públicos e residenciais, transporte publico, gasolina e óleo diesel, plano de saúde, produtos farmacêuticos, pedágio e licenciamento (basicamente bens não comercializáveis com exceção de gasolina e diesel). O que o gráfico mostra? Principalmente que na ultima década os produtos não comercializáveis ficaram muito mais caros do que os comercializáveis depois da grande desvalorização cambial de 2002. A relação de preços entre bens comercializáveis e não comercializáveis e’ uma outra maneira de medir a posição do cambio real ou sobrevalorizacoes cambiais, so que com preços capturados diretamente pelo IBGE. Ou seja, mais uma vez vemos forte “desequilibrio” na economia brasileira nesse quesito.

Como uma economia reage a essa dinâmica de preços? Basicamente produzindo o que esta caro e não esta’ sujeito a concorrência internacional (que portanto da mais lucro) e parando de produzir o que esta barato e sofre de violenta concorrencia mundial (que portanto não da lucro). Pela ótica dos custos de produção a alta dos bens não comercializáveis decorre de forte alta dos salários, o que por sua vez inviabiliza a produção lucrativa de bens comercializáveis para o resto do mundo. Ainda pior nessa historia, os bens não comercializáveis citados acima (não complexos) tem potencial de ganhos de produtividade bem menor do que os bens comercializáveis (complexos). Nesse caminho o Brasil esta se especializando em ser pobre. A desvalorização cambial de 2015 ajuda a reverter um pouco essa trajetória, mas pelos dados acima do IBGE falta muito ainda para que haja um reequilibro entre esses preços no Brasil.

ver sobrevalorização cambial no BrasilApreciação cambial e regressão tecnológica no Brasil

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