Regressão da complexidade nos EUA: para entender Trump

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Os EUA que já tiveram 20 milhões de trabalhadores empregados em manufaturas migraram também para um perfil de serviços financeiros e empresariais, apesar de que o contingente de pessoas empregadas em serviços não sofisticados nos EUA tem crescido de forma rápida. Os tipos de ocupação e de atividades produtivas têm produtividades do trabalho muito distintas. O mapa de ocupações ou empregos, ou estrutura produtiva, diz muita coisa sobre quem é rico e quem é pobre. Países ricos empregam muita gente em seus setores manufatureiros e de serviços sofisticados e têm uma estrutura produtiva complexa. Países pobres não foram capazes de constituir uma estrutura produtiva complexa e são incapazes de constituir e empregar seus trabalhadores em setores de serviços sofisticados. China e Índia têm uma porcentagem baixíssima da população em setores de serviços sofisticados e uma população total enorme. Conseguiram avançar no emprego de trabalhadores no setor manufatureiro e estão caminhando aceleradamente na construção de um sistema produtivo complexo. No outro extremo existem países como Alemanha, Coreia do Sul e Japão com um enorme setor de serviços sofisticados, muita gente empregada no setor manufatureiro e uma estrutura produtiva altamente complexa.

As medidas de produtividade do trabalho calculadas como valor adicionado dividido por número de ocupações mostram em termos empíricos a característica propulsora de desenvolvimento econômico dos setores manufatureiros e de serviços sofisticados. São setores capazes de empregar muita gente com produtividade mais elevada do que a média da economia. O mapa abaixo mostra a estrutura de empregos industriais e de serviços sofisticados como porcentagem da população empregada para os EUA desde 1995. Países ricos se destacam com grandes participações da população empregada nos setores de alta produtividade. O Brasil se destaca com um dos piores níveis de emprego industrial entre os emergentes e com um dos mais baixos níveis da amostra. EUA, França, UK e Áustria têm baixo emprego industrial e alto emprego em serviços sofisticados em termos relativos e grande complexidade produtiva. Austrália tem baixa complexidade, baixo nível de empregos industriais, mas tem um elevado número de empregos no setor de serviços sofisticados. Mesmo tendo já empregado muitos trabalhadores no setor industrial, hoje tanto Austrália quanto EUA conseguiram migrar para um perfil de emprego que privilegia os serviços sofisticados. A Austrália que teve praticamente 25% do seu PIB no setor industrial nos anos 60.

* Atlas of Economic Complexity (https://atlas.media.mit.edu/en/)

** video: Death by China

ver Construindo complexidade

2012

1988

1980

classificação dos empregos:

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