Regressão tecnológica no sul da Europa

Os mapas de exportação abaixo, retirados do Atlas da Complexidade Econômica (http://atlas.media.mit.edu/), mostram que houve uma importante regressão tecnológica na estrutura produtiva de Portugal, Espanha, Itália, Grécia e França desde a introdução do Euro. Todos esses países caíram de forma importante no ranking que mede a sofisticação relativa de seus tecidos produtivos entre 2000 e 2012. A introdução da moeda única provocou quedas nas taxas de juros, booms de consumo, endividamento e bolhas imobiliárias nesses países. Não houve progresso de fato com upgrading industrial e aumento de capacidades locais de produção. As rendas per capita subiram, depois caíram e agora estão estagnadas. A crise no sul continua e continuará.

No caso do sul da Europa já havia sofisticação e diversidade do tecido produtivo. O aumento dos custos de produção (do trabalho) no sul, as economias de escala do Norte e redução dos custos de transporte causaram polarizações e aglomerações na Alemanha e arredores. As redes produtivas do Sul foram destruídas o que está provocando involucao tecnológica mesmo na presença de excelentes universidades e tecido produtivo diversificado. E pior, como o sistema apresenta histerese não será possível voltar a situação anterior!

Para uma explicação da crise na Europa: http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/12264/TD%20371%20-%20Luiz%20Carlos%20Bresser%20Pereira.pdf?sequence=1&isAllowed=y

Para uma explicação sobre o Atlas da Complexidade Econômica: http://www.paulogala.com.br/?p=1569

 

*Exportações Portugal 2012

Portugal_Xs_2012

*Exportações Portugal 2000

Portugal_Xs_2000

*Exportações França 2012

France_Xs_2012

*Exportações França 2000

France_Xs_2000

*Exportações Grécia 2012

Grecia_Xs_2012

*Exportações Grécia 2000

Grecia_Xs_2000

*Exportações Itália 2012

Italia_Xs_2012

*Exportações Itália 2000

Italia_Xs_2000

*Exportações Espanha 2012

Spain_2012

*Exportações Espanha 2000

Spain_2000

7 thoughts on “Regressão tecnológica no sul da Europa”

  1. Paulão, eu estou fazendo um estudo sobre a indústria europeia voltada à capacidade de adicionar valor.

    Minhas conclusões preliminares são:
    Há um hub de alta produtividade, adiciona muito valor por habitante. Esse hub é formado por Alemanha, Holanda, Escandinávia, Bélgica e Suíça.
    Esse hub consegue bater de frente com os Estados Unidos e o duo Japão-Coreia do Sul na capacidade de adicionar valor por habitante no setor manufatureiro.

    Depois nós temos um hub de países com produtividade média, com metade ou menos da metade do poder de adicionar valor por habitantes quando comparamos com os de cima:
    Inglaterra, Itália, Espanha, Rússia, França.
    Esse hub tem a produtividade industrial do México ou mesmo da Argentina. E ela vem caindo cada dia mais, pois a produtividade ficou estagnada desde a entrada no Euro.
    Então eu resolvi dar uma olhada no mapa da renda desse hub
    E o que eu descobri?
    A renda nesses países fica muito abaixo da renda média da Europa. Menos em locais onde encontramos cidades globais, onde são feitos negócios financeiros e onde estão sediadas empresas.
    Pegue a França, por exemplo: A Ile de France tem uma renda por cabeça 6 vezes superior ao restante da França. Ou seja, é especulação financeira e lucros retornados de filiais de empresas que garantem a alta renda por cabeça francesa. Só que, tirando algumas empresas estatais ou com alguma participação mínima do Estado, como a EADS e a Renault, esse dinheiro não vai para o povo Francês e sim para os 20% que possuem ações e que vivem na Ile de France. Só que muitas empresas francesas estão indo embora para Amsterdã por questões tributárias e para ficarem mais perto do vale do Reno, que é onde está o dinheiro na Europa. Mudar matriz de empresa é fácil, pois é só um prédio. O mesmo pode ser dito da Inglaterra, onde a renda por cabeça da Grande Londres é muito maior do que do restante do país. Espanha idem. A renda de Madrid é nível Paris enquanto do restante do país, tirando a Catalunha, é nível Portugal para baixo. Já na Itália, temos a região norte com alta renda, por conta das indústrias que la´ainda estão, já que a Itália nem empresas tem mais, pois foram embora, como é o caso da Fiat. Mas o centro sul italiano é pobre como a América Latina quase. Todavia, essa renda do norte está a perigo, já que os bancos italianos estão com alto risco de falência e suas indústrias não conseguem acompanhar a Alemanha.

    Dito isto, o que podemos dizer é que, tirando a europa germânica e ainda o norte italiano, a “riqueza” europeia baseia-se em especulação financeira e não em produtividade industrial.

  2. Brasil tem de investir muito em tecnologias produtivas.

    Mas em vez de fazer isso, estamos destruindo nossas empresas capazes de gerar produtividade industrial, como a nossa indústria naval

  3. Outro golpe fatal à indústria nacional veio com o Plano Real. Ao artificialmente tornar o Real tão valioso quanto o Dólar, FHC destruiu ainda mais as indústrias do Brasil. Mas por que artificialmente? Porque país com fraca produtividade industrial não pode ter moeda forte, simples. Ao contrário do que neoclássicos pensam, o dinheiro não é apenas um instrumento neutro para facilitar as trocas. O dinheiro tem de representar produtividade real, poder de produção de mercadorias real. E por que isso? Porque o dinheiro é uma dívida e esta só pode ser paga com criação de valor, a qual vem da produção de mercadorias. Por isso as três únicas moedas conversíveis do mundo são as moedas das três potências industriais de alta produção de valor agregado: EUA – Dólar, Japão – Yene, Alemanha – Euro.

    Acho que esse texto chegou a conclusões parecidas com as minhas

    http://voyager1.net/politica/brasil/por-que-o-brasil-nao-se-desenvolve/

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