Schumpeter, Baumol e a complexidade econômica: os novos produtos e serviços são em geral transacionáveis e sofisticados

O economista J. A. Schumpeter queria ser um grande galanteador, um grande cavaleiro e um grande economista. Talvez tenha mesmo só conseguido atingir o último dos três objetivos. Dentre as suas inúmeras contribuições, a que mais gosto é a ideia de “novos produtos e novos mercados”. Me lembro bem daquele ano de 1997 e de um curso na FEA que fiz com o brilhante professor Raul Cristóvão. O único problema é que ele falava muito baixo, então eu não conseguia ouvir metade da aula. Mas a parte de Schumpeter que eu ouvia era muito boa! Novos produtos e novos mercados: assim evolui o capitalismo. O empresário “schumpeteriano” e sua “destruição criativa”. O crédito, os bancos, a alavancagem, etc… Mas o que eu queria comentar mesmo nesse post é a conexão entre Schumpeter e Baumol, outro grande economista que admiro muito. Talvez uma das maiores contribuições de Baumol tenha sido a ideia de “doença de custo”. Para Baumol uma economia se divide em dois setores: i)os progressivos, onde a produtividade aumenta muito (manufaturas diria Bamuol, bens complexos diria eu) , ii)e o setor de serviços “estagnado” onde a produtividade aumenta muito pouco ou não aumenta: artes, educação, saúde, serviços públicos. O médico, o violinista, o professor, o policial, a enfermeira. A exceção fica aqui com serviços empresariais que são escaláveis, uma “atividade meio” nos termos de Baumol.

Baumol nos mostra como o aumento de produtividade nas manufaturas se converte em queda de preços e aumentos de salários nesse setor. A demanda por serviços “estagnados” somada a falta de produtividade produz aumento de preços desses serviços comparados às manufaturas= doença de Baumol (também conhecido como efeito balassa-samuelson). Para Schumpeter o avanço do capitalismo se da através de novos produtos, novos processos e novos mercados (complexos). Para Baumol também. E para vc? Por onde avança o capitalismo? Erik Reinert (1994, texto) mostra como podemos usar as ideias de Schumpeter para entender a “microeconomia” do Desenvolvimento Econômico. Entender o desenvolvimento é compreender o que acontece nas indústrias onde em geral predominam competição imperfeita e todas as características desse tipo de estrutura de mercado (importantes curvas de aprendizagem, rápido progresso técnico, alto conteúdo de R&D, grandes possibilidades de economias de escala e escopo, alta concentração industrial, grandes barreiras à entrada, diferenciação por marcas, etc). Esse grupo de atividades “schumpeterianas” de alto valor agregado se contrapõe às atividades de baixo valor agregado “dog industries”, em geral praticadas em países pobres ou de renda média com típica estrutura de competição perfeita (baixo conteúdo de R&D, baixa inovação tecnológica, informação perfeita, ausência de curvas de aprendizado e possibilidades de divisão do trabalho (Reinert e Katel 2010)

Baumol explica porque a indústria é mais produtiva do que os serviços

Referencias:

Rainer Kattel & Erik S. Reinert, (2010) “Modernizing Russia: Round III. Russia and the other BRIC countries: forging ahead, catching up or falling behind?,” The Other Canon Foundation and Tallinn University of Technology Working Papers in Technology Governance and Economic Dynamics 32, TUT Ragnar Nurkse School of Innovation and Governance.

Erik S. Reinert, 2010. “Developmentalism,” The Other Canon Foundation and Tallinn University of Technology Working Papers in Technology Governance and Economic Dynamics 34, TUT Ragnar Nurkse School of Innovation and Governance.

Rainer Kattel & Jan A. Kregel & Erik S. Reinert, 2009. “The Relevance of Ragnar Nurkse and Classical Development Economics,” The Other Canon Foundation and Tallinn University of Technology Working Papers in Technology Governance and Economic Dynamics 21, TUT Ragnar Nurkse School of Innovation and Governance.

Reinert, E., (1994), Catching-Up From Way Behind. A Third World Perspective on First World History, in  The Dynamics of Technology, Trade and Growth” http://www.othercanon.org/uploads/Catching-Up%20From%20Way%20Behind.pdf

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