Portugal está barato

Como bem mostrou B. Eichengreen em eu clássico “Globalizing Capital” no antigo regime do padrão ouro, sempre que uma moeda ficava muito valorizada (como é o caso português hoje) o ajuste deveria ser feito via deflação de preços. Ou seja, a alta cotação da moeda doméstica em relação ao ouro e demais moedas do mundo deveria ser corrigida por uma queda de preços internos (deflação). Essa excessiva valorização da taxa de câmbio reduzia a competitividade das exportações e aumentava muito as importações criando déficits externos e eventualmente saídas de capital. Pelas regras do padrão ouro, os fluxos de saída de capital significavam uma redução da base monetária que acabava resultando num aumento das taxas de juros locais. Toda essa dinâmica provocava uma recessão com aumento do desemprego e queda do nível de preços que poderia corrigir lentamente a taxa de câmbio sobrevalorizada. O problema iniciado no setor externo ia se alastrando e contaminando toda a economia, com redução do produto, renda, emprego, etc…

O problema desse tipo de ajustamento é que o tamanho da crise necessário para o ajustamento do câmbio não era suportado pelos governos. Em outro termos, a explosão do desemprego e recessão acabava derrubando o presidente ou primeiro ministro antes que a redução de preços pudesse corrigir o desajuste do câmbio real. Exatamente o que aconteceu com Portugal, Grécia e Espanha (Itália?). Nesses eventos, o ajustamento acabava vindo por outra via: a desvalorização do câmbio nominal, ou seja, o abandono do padrão ouro! Só que Portugal não tem câmbio para desvalorizar, então não dá. Os preços continuam em queda ou estaveis e Portugal fica mais barato em Euros, uma bela pechincha. Lisboa é um hub espetacular na cabeça do oceano atlântico conectando Américas, África e Europa. Portugal É um país que tem laços fortes com toda America Latina e África e poderia ter papel privilegiado como plataforma de investimentos nessas duas terras.

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