Viva a indústria

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O gráfico acima mostra as taxas de crescimento do PIB e da indústria brasileira desde de 2002. Não é difícil perceber que o PIB é uma versão modulada da serie da indústria. Ou de outro modo, a indústria é um PIB extremado. O gráfico ilustra o que os economistas chamam de relação Kaldor-Verdoorn em homenagem aos dois grandes que pesquisaram sobre o tema. Eles repararam que sempre que a indústria cresce ela é capaz de gerar ganhos para o resto da economia arrastando o crescimento de outros setores. A indústria é o motor do crescimento. Até por que é ela quem gera demanda para os outros setores não manufatureiros. Os setores de serviços tendem a ficar andando de lado sem grandes estímulos bombásticos. Os economistas gostam dessa relação pois ela também mostra que a industria é muito elástica em relação a capacidade de produzir mais. Claro. Basta adicionar turnos e máquinas e pronto. Isso dá um efeito bom em termos de produtividade. Com o mesmo estoque de trabalhadores o forte aumento de produção industrial significa aumento de produtividade. Mais lucro e mais salários. Esses os retornos crescentes industriais.

Todas grandes desacelerações de nosso PIB estão associadas a quedas da indústria. No restaurante, cabeleireiro, banco, vc vai toda a semana, faça chuva ou faça sol. Agora, trocar de carro, comprar eletrodomésticos, eletrônicos, etc… não é assim tão simples. O consumo de bens duráveis é bem mais volátil. No diagrama de dispersão dá para ver que o crescimento do PIB no Brasil é grosso modo a metade do crescimento industrial mais 2.3%. Uma regrinha interessante essa. Me lembro que o Delfim dizia que nosso crescimento era sempre a industria menos 2% ou algo do gênero. Essa regra ajuda bem a tentar prever o PIB de anos vindouros.

5 thoughts on “Viva a indústria”

  1. Foi traçado uma regressão simples entre variação do PIB e variação da indústria? Ou foi considerado alguma outra variavel? Poderia explicitar este impacto abrindo em setores? Há uma grande preocupação com a agricultura no país, ela não teria representação na variação do PIB?

    1. exato. uma regressão ultra simples para ilustrar o ponto. essa relação em economia é conhecida como lei de Kaldor. existem varios estudos detalhados para o Brasil, mostrando inclusive o papel da agricultura e serviços!

  2. Professor, qual fonte de dados o senhor consultou?. Achei interessante essa regressão, por mais simples que seja, para ilustrar a relação crescimento da indústria x crescimento do PIB

  3. Como Japão e CdS se tornaram potências tecnológicas capazes de concorrer com a Europa Germânica em produtividade e qualidade dos produtos.

    1- Por medo da evolução da influência soviética e chinesa na Ásia, os EUA resolveram que os dois países pobres em recursos naturais poderiam se desenvolver industrial e tecnologicamente. O plano inicial dos EUA eram transformar o Japão num país agrário mais pobre do que a Indonésia. Mas a revolução de 49 na China mostrou que isso não seria possível. Dessa forma, os EUA emprestaram dinheiro barato para os citados países, fizeram transferência de tecnologia e abriram seus mercados para os produtos japoneses e coreanos. Basicamente o contrário do que fizeram com a América Latina, pois sabiam que aqui a classe média alta controlava a sociedade com seu pensamento conservador, não representando perigo algum ao status quo.

    Para a América Latina os empréstimos foram a juros altos e curto período de carência, sabotagem de qualquer tipo de tentativa de desenvolvimento de tecnologia própria, protecionismo até mesmo contra os produtos agrícolas da América Latina. Se hoje somos pobres, agradeçam a essa classe média alta lixo, a mesma que ajudou no golpe de 2016, e sua subordinação aos Estados Unidos. A classe média alta que pouco se importa com a corrupção, mas que apenas quer um país cheio de miseráveis para ter mão-de-obra a preço de banana, utilizando a corrupção como desculpa moralista para atingir seus objetivos elitistas [a esquerda deveria martelar esse fato para o povo, coisa que não faz].

    Basicamente, JP e CdS só se desenvolveram porque os EUA permitiram e ajudaram nisso. Outros países que tentaram o mesmo receberam o chicote do Tio Sam. Chile de Allende, Brasil de Goulart, Irã de Mohammed Mossadegh, etc. Não que tenha sido por caridade, afinal, em 1924 os EUA barraram de vez a imigração de asiáticos para o país, porque os consideravam uma “raça inferior”, assim como latinos, europeus do Sul, negros, aborígenes.

    2- Além de receber dinheiro barato, tecnologia e abertura de mercados por parte dos EUA, Japão e CdS contaram com forte presença estatal na formação dos grandes conglomerados empresariais do país. Os Zaibatsus e os Chaebols nada foram além dos chamados “campeões nacionais” desses dois países. Eram escolhidos a dedo pelo poder estatal para receberem apoio e crescerem. O Lula tentou o mesmo no Brasil, mas enquanto JP e CdS investiram em empresas de tecnologia e montadoras de automóveis, Lula investiu em empresas de alimentação. Normal para um governo que se dobrou aos latifundiários que mandam nesse país desde 1534.

    3 – Ambos países fizeram a reforma agrária, e, com isso, criaram mercado consumidor interno, assim como impediram o êxodo rural descontrolado como visto na América Latina.

    4 – Taxação de heranças e grandes fortunas. Houve uma época em que a taxação de heranças no Japão chegava a 80%. Por isso hoje em dia nós não vemos tantos bilionários japoneses quanto em outras potências econômicas. E, quando vemos, geralmente são mais “pobres” do que os bilionários norte americanos, europeus e até latino americanos. Esse dinheiro era investido em desenvolvimento tecnológico, ciência e infraestrutura. Já na América Latina, como sabemos, o inverso é que sempre foi feito. Aqui heranças e dividendos mal recebem taxação.

    5 – Controle de fluxo de capitais. Ao contrário do que acontece na AL, CdS e Japão controlavam o fluxo de capitais, impedindo que os lucros saíssem do país livremente e também impedindo a entrada de capitais especulativos. Já no BR, quando um presidente tentou controlar o envio de lucros para fora do país, foi derrubado. João Goulart é o nome do mesmo e essa foi a principal razão de ter sido colocado para correr pela aliança entre empresários brasileiros, grande burguesia norte americana, exército e classe média alta paneleira.

    6 – Investimento maciço em educação, infraestrutura, ciência por parte do Estado.

    Como resultado, JP e CdS são dos poucos países – ao lado dos países da Europa Germânica – nos quais a taxa de lucros não caiu, como mostrou o economista Michael Roberts. Como a produtividade industrial é alta em comparação a China, América Latina e Europa do Sul e a qualidade dos produtos é superior a dos produtos produzidos nos EUA, esses países conseguem “roubar” o valor produzido nas outras nações do mundo impedindo que a taxa de lucros caia.

    Mas isso foi conseguido com muita ajuda externa por parte dos EUA, por medo do crescimento do socialismo real na Ásia, assim como forte presença estatal na economia, com alta taxação de fortunas e heranças, investimento em indústrias de tecnologia, investimento em educação, controle de capitais, reforma agrária. Ou seja, exatamente o contrário do que os liberalecos classe média paneleiros elitistas querem para o Brasil.

    Mais sobre o desenvolvimento da CdS:

    https://voyager1.net/economia/o-mito-sul-coreano/

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