Focus já enxerga IPCA em 5,25% em 2025

Tivemos a divulgação de dados econômicos relevantes na China nesta manhã: a produção industrial cresceu 5,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as vendas no varejo subiram 6,4%. São números positivos que sinalizam alguma recuperação da atividade econômica chinesa. Por outro lado, os preços dos imóveis residenciais continuam caindo, com aceleração na comparação com abril — o que indica que o setor imobiliário segue enfrentando dificuldades.

No Brasil, o IBC-Br de abril registrou alta de 0,2%, uma desaceleração frente aos 0,8% observados em março, mas ainda acima das expectativas de mercado, que projetavam alta de apenas 0,1%. Ou seja, mais um dado que aponta resiliência da atividade econômica. Na semana passada, o varejo mostrou fraqueza, mas o setor de serviços (PMS) veio melhor, confirmando uma trajetória de expansão em abril.

Nesta semana, os destaques serão as decisões de política monetária. No Brasil, temos reunião do Copom na quarta-feira. A boa notícia é que a mediana das expectativas de inflação no Focus caiu para 5,25% em 2024, a menor em quase um ano, refletindo os efeitos da desaceleração recente do IPCA. O mercado está dividido: cerca de 60% acredita que o Copom pode elevar a Selic em mais 0,25 ponto, encerrando o ciclo em 15% ao ano; os demais acham que a taxa já atinge seu pico agora, aos 14,75%. Em termos práticos, ambas as taxas já estão em patamar elevado — o que importa é que o ciclo está chegando ao fim.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve também decide os juros na quarta-feira. A expectativa é de manutenção da taxa, com o banco central adotando postura de espera. Os dados recentes de inflação vieram melhores que o esperado — tanto o CPI quanto o PPI — o que abriu espaço para apostas em cortes a partir de setembro. No entanto, o conflito em curso entre Irã e Israel adiciona incerteza ao cenário, especialmente com o preço do petróleo voltando a subir, o que pode afetar expectativas inflacionárias globais.

Por fim, no Brasil, o Congresso deve votar hoje ou amanhã a suspensão do decreto do IOF, medida que reacende tensões entre Executivo e Legislativo. O governo já indicou que, se o decreto for derrubado, poderá haver retaliações envolvendo liberação de emendas parlamentares. Mais um fator de instabilidade política e fiscal no radar.

Portanto, a semana começa com um panorama misto: indicadores de atividade ainda firmes no Brasil, queda nas expectativas de inflação, mas também incertezas relevantes no front político e geopolítico. Vamos acompanhar de perto as decisões dos bancos centrais e o desenrolar desses conflitos.

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