A aparente contradição entre o egoísmo e o altruísmo na obra de Adam Smith

Adam Smith é amplamente conhecido por sua obra “A Riqueza das Nações”, onde apresenta a ideia de que o egoísmo individual pode, paradoxalmente, promover o bem comum. Segundo Smith, ao buscar seu próprio interesse, o indivíduo é levado a contribuir para o bem-estar econômico da sociedade como um todo, como se guiado por uma “mão invisível”. Ele argumenta que, ao perseguir seus próprios objetivos, o indivíduo acaba, muitas vezes, beneficiando a sociedade de maneira não intencional. Essa visão é frequentemente interpretada como uma defesa do egoísmo como motor do progresso econômico e social.

No entanto, essa perspectiva parece estar em tensão com as ideias apresentadas por Smith em sua outra obra importante, “A Teoria dos Sentimentos Morais”. Nesse livro, Smith enfatiza a importância da empatia, da benevolência e da solidariedade entre os indivíduos. Ele argumenta que os seres humanos têm uma capacidade natural de se preocupar com os outros e de agir de maneira generosa, guiados por um senso de justiça e moralidade. Smith descreve como o desejo de ser amado e ser digno de amor impulsiona os indivíduos a agir de acordo com os sentimentos morais, muitas vezes colocando o bem-estar dos outros acima do seu próprio interesse.

Essa aparente contradição entre as duas obras de Smith pode ser reconciliada quando se compreende que ele reconhece a complexidade da natureza humana. Smith não vê o egoísmo e a generosidade como mutuamente exclusivos, mas sim como partes complementares da motivação humana. Enquanto “A Riqueza das Nações” destaca o papel do interesse próprio no funcionamento dos mercados, “A Teoria dos Sentimentos Morais” sublinha a necessidade de normas sociais e sentimentos morais para manter a coesão social e a justiça.

Dessa forma, Smith sugere que uma sociedade próspera precisa tanto do dinamismo gerado pelo interesse próprio quanto da estabilidade fornecida pela moralidade e generosidade. O bem comum, para Smith, não é alcançado apenas através do egoísmo econômico, mas também através de uma rede de relações humanas baseadas na empatia e na preocupação mútua. Em última análise, Smith apresenta uma visão holística da sociedade, onde o comportamento econômico e as virtudes morais coexistem e se equilibram, contribuindo conjuntamente para o bem-estar geral.

1 thought on “A aparente contradição entre o egoísmo e o altruísmo na obra de Adam Smith”

  1. Contudo, parece que os liberais e os anarcocapitalistas só se atêm ao egoísmo. Um bando de sociopatas! A começar por um certo ex-ministro da Fazenda.

Deixe uma resposta