A Aposta Asiática na Biotecnologia: O Estado Desenvolvimentista e a Ascensão da China no Setor

*escrito com Felipe Augusto 

Após a Segunda Guerra Mundial, diversas economias asiáticas conseguiram alcançar taxas impressionantes de crescimento sob forte intervenção estatal. O modelo do “Estado desenvolvimentista” foi aplicado com sucesso em países como Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Singapura, que apostaram em estratégias de investimento, engenharia reversa e fábricas prontas para impulsionar a industrialização e se tornarem potências tecnológicas.

No entanto, quando se trata da biotecnologia, esse modelo enfrenta desafios significativos. Em Betting on Biotech, Joseph Wong analisa como esses países investiram bilhões de dólares na indústria biotecnológica desde os anos 1990, sem obter os mesmos retornos comerciais que alcançaram em outros setores industriais. A natureza incerta e altamente inovadora da biotecnologia exige uma abordagem diferente da tradicional estratégia de “escolher vencedores”, forçando esses países a redirecionar recursos para apostas de longo prazo e alto risco.

A ascensão da China no setor biotecnológico tem sido um fenômeno marcante. Em 2020, menos de 5% das grandes transações farmacêuticas globais envolviam empresas chinesas. Em 2024, esse número subiu para quase 30%, e há projeções de que, em uma década, muitos dos novos medicamentos no mercado norte-americano terão sido desenvolvidos em laboratórios chineses. Esse crescimento espelha a ascensão da China na tecnologia, onde o país passou de uma economia focada na manufatura para um polo global de inovação.

O plano estratégico Made in China 2025 estabelece a biotecnologia como um dos setores prioritários para o país, ao lado de tecnologia da informação, robótica, aeroespacial e equipamentos médicos de ponta. Essa estratégia vem permitindo que as biotechs chinesas desenvolvam medicamentos de forma mais rápida e barata que suas concorrentes ocidentais. Segundo o Wall Street Journal, essa transformação está sendo comparada ao impacto da inteligência artificial, com a China assumindo um papel de liderança na corrida global pela inovação farmacêutica.

Dessa forma, a biotecnologia se tornou um campo de batalha estratégico, onde o modelo de industrialização asiático enfrenta seus limites, e a China emerge como uma potência que pode redefinir a dinâmica global da inovação em ciências da vida.

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