*por Ingrid Zapater e Teresita Mbang
A complexidade econômica de um país pode ser entendida como a capacidade de sua economia em produzir e exportar uma diversidade de bens sofisticados, ou seja, produtos que demandam conhecimento técnico avançado e são pouco ubíquos no comércio global. De acordo com a metodologia desenvolvida por Ricardo Hausmann e César Hidalgo, dois conceitos são fundamentais para medir essa complexidade: a diversidade e a ubiquidade. A diversidade refere-se à variedade de produtos que um país consegue exportar, enquanto a ubiquidade está relacionada à quantidade de outros países que também exportam esses produtos.
No caso da Alemanha, ela é considerada uma das economias mais complexas do mundo, destacando-se como a quarta maior economia global em termos de PIB (US$ correntes), ocupando também a terceira posição em exportações e importações totais. No entanto, a Alemanha ficou na 21ª posição quando considerado o PIB per capita (US$ correntes) e foi classificada como a quinta economia mais complexa segundo o Índice de Complexidade Econômica (ECI) (OEC, 2024).
Apesar de seu status, nas últimas décadas, a complexidade da economia alemã diminuiu levemente, caindo uma posição no ranking do ECI. Esse declínio é atribuído à diversificação de suas exportações em produtos de menor complexidade, apesar do aumento da variedade de itens exportados. Isso revela um paradoxo interessante: a diversificação nem sempre implica um aumento da complexidade, especialmente quando se trata de produtos com menor sofisticação tecnológica.
Olhando para o futuro, a Alemanha tem poucas oportunidades de diversificar sua produção em setores de alta complexidade, dado o alto nível de sofisticação já alcançado. Mesmo assim, projeta-se um crescimento econômico modesto, cerca de 2,0% ao ano até 2031, o que reflete uma economia madura e complexa, mas que enfrenta desafios para manter seu dinamismo.
### Cesta de exportações
Segundo o Atlas de Complexidade Econômica, a Alemanha exportou produtos e serviços no valor de USD 2,02 trilhões em 2021. As exportações cresceram a uma média anual de 4,4% nos últimos cinco anos, superando o crescimento econômico geral, já que as exportações representam um segmento crescente da economia. As exportações não relacionadas ao petróleo cresceram anualmente 4,5% nos últimos cinco anos, ficando abaixo da média global de crescimento. As importações totalizaram USD 1,81 trilhões em 2021, deixando a Alemanha com um superávit comercial de bens e serviços.
De acordo com a OEC (2022), as principais mercadorias exportadas pela Alemanha foram automóveis (US$ 149 bilhões ), medicamentos embalados (US$ 74,8 bilhões ), peças e acessórios para veículos de motor (US$ 61,8 bilhões ), vacinas, sangue, antissoros, toxinas e culturas (US$ 45,5 bi), e petróleo refinado (US$ 25,7 bi). Os principais destinos das exportações alemãs foram os Estados Unidos (US$ 153 billion), França (US$ 120 billion), China (US$ 109 bi ), Países Baixos (US$ 109 bi ) e Itália (US$ 90,7 bi ). A Alemanha também foi o maior exportador global de automóveis, medicamentos embalados, peças e acessórios para veículos de motor, eletricidade e centrífugas.
Em termos de importações, os principais produtos que a Alemanha trouxe de outros países foram gás de petróleo (US$ 98 bi), automóveis (US$ 67,7 bi ), peças e acessórios para veículos de motor (US$ 41,7 bi ), petróleo bruto (US$ 39,5 bi ), e vacinas, sangue, antissoros, toxinas e culturas (US$ 36 bi ). A Alemanha importou principalmente da China (US$ 152 bi), Países Baixos (US$ 131 bi ), Polônia (US$ 93,1 bi ), Bélgica (US$ 91,9bi) e Itália (US$ 78,5 bi ).
### Manufatura per capita
Segundo a Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (UNECE), o valor da manufatura per capita da Alemanha foi de US$ 8.450 em 2023, ocupando o 5º lugar no ranking europeu. A Alemanha tem mantido um nível de produção per capita relativamente alto desde 2009, situando-se acima de países como Suécia, Estados Unidos e Reino Unido.
### Patentes e inovação
A Alemanha é um líder mundial em inovação, ocupando o oitavo lugar no Índice Global de Inovação 2023 (GII). Este índice avalia os países de acordo com suas capacidades e resultados em inovação, utilizando 80 indicadores. Na Europa, a Alemanha está classificada em sexto lugar entre as economias de alta renda. Embora o país se destaque em termos de resultados de inovação (6.º), sua posição em relação aos insumos de inovação foi mais baixa (13.º), o que indica que é mais eficiente na conversão de investimentos em produtos inovadores.
Um dos principais indicadores da inovação alemã é sua força no campo das patentes. A Alemanha ocupa o primeiro lugar no número de famílias de patentes por cada bilhão de dólares do PIB PPA, sublinhando seu forte foco na proteção e comercialização da propriedade intelectual. Além disso, o país se destaca pelo alto volume de documentos citáveis e pela complexidade na produção e exportação tecnológica, ambos indicadores-chave da sua capacidade inovadora.
Apesar de alguns desafios, a Alemanha continua sendo uma referência global em inovação tecnológica e científica. Empresas como Volkswagen, Mercedes-Benz e BMW lideram os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), e o governo alemão planeja aumentar a porcentagem de investimento em P&D para 3,5% do PIB até 2025, consolidando a prioridade do país na inovação e alta tecnologia.


