A complexidade produtiva da Hungria 

*por Paula Pinto e Marcela Rangel

A Hungria é um país da Europa Central, com uma população de aproximadamente 10 milhões de habitantes e caracterizado por um sistema político parlamentarista. Seu centro comercial e econômico é concentrado em Budapeste. Embora seja considerada uma república democrática, o país possui um sistema político cada vez mais controlado pelo partido Fidesz, liderado pelo atual Primeiro-Ministro, Viktor Orbán. A orientação conservadora do governo em questões como o estado de direito e as liberdades individuais gera controvérsias dentro da União Europeia, da qual a Hungria faz parte, influenciando sua política econômica e externa.

### Estrutura e complexidade produtiva

A estrutura produtiva de um país é definida pela organização e distribuição dos recursos e das atividades econômicas que formam sua base de produção de bens e serviços. Isso inclui a distribuição dos setores econômicos, a divisão do trabalho, o nível de tecnologia e inovação, a quantidade e qualidade do capital e dos investimentos, o acesso e gestão dos recursos naturais e humanos, a eficiência das políticas regulatórias e a qualidade da infraestrutura.

A estrutura produtiva se relaciona à complexidade produtiva, que analisa a sofisticação de uma economia por meio da variedade e desenvolvimento de processos, técnicas e tecnologias empregados na produção. Um país com maior diversidade de produtos, tecnologia avançada, organização produtiva eficiente, interconexão entre processos e setores e capacidade de inovação tende a ter uma economia mais complexa. Nesse sentido, a complexidade produtiva decorre da configuração setorial, com destaque para o setor de bens industriais.

Segundo dados do *The Atlas of Economic Complexity*, a economia húngara é altamente complexa, ocupando a 11ª posição no ranking de 2021, à frente de países como China e EUA. O estudo também indica que, desde o início dos anos 2000, a Hungria atingiu o nível mais alto de complexidade produtiva e tem se mantido entre os 20 primeiros países.

### 1. PIB, PIB per capita e composição da economia

Em 2022, o PIB nominal da Hungria foi de 177 bilhões de dólares, representando um crescimento de 2,9% do PIB real em relação à última década. O PIB per capita em 2022 foi de 18.297 dólares, acima da média global de 10.589 dólares. O governo húngaro tem buscado reduzir a distância econômica em relação aos demais membros da União Europeia. Como resultado, o PIB per capita húngaro aumentou de 69% da média da União Europeia em 2017 para 74,7% em 2022.

Em 2021, a estrutura econômica da Hungria era composta por 70% de serviços, 19% de manufaturas, 8% de outras atividades industriais e 3% de agricultura. A concentração no setor terciário reflete a grande disponibilidade de mão de obra qualificada, enquanto o setor secundário, impulsionado pelas exportações de manufaturados, aparece em segundo lugar. O setor primário, por sua vez, tem uma participação menos expressiva na economia. Em termos de despesas, o consumo privado corresponde a 48% do PIB, os gastos do governo a 20%, os investimentos a 31% e o saldo de exportações a 1%.

### 2. Nível de tecnologia, inovação, patentes e start-ups

A Hungria lançou o *New Hungary Development Plan* em 2011, para impulsionar pesquisa e desenvolvimento (P&D), com metas voltadas para ciência, tecnologia e inovação. Em 2021, a União Europeia prometeu aumentar em 30% o apoio ao programa de inovação húngaro para o período de 2021 a 2027, fortalecendo o orçamento de P&D do país. A *Research, Development and Innovation Strategy of Hungary* (2021-2030) delineou três grandes objetivos para a política de inovação: ampliar o uso de pesquisas acadêmicas nas instituições públicas, melhorar o desempenho de inovação das pequenas e médias empresas e reforçar a cooperação entre os atores de P&D.

Em 2021, a Hungria investiu 1,65% do PIB em P&D, mas o objetivo é atingir 3% até 2030. O governo criou um sistema de incentivos e subsídios ao setor em 2017, por meio da Agência de Promoção do Investimento Húngaro (HIPA). As indústrias farmacêutica e automotiva respondem pela maior parte dos gastos em P&D. No campo da educação, o país destinou 4,23% do PIB ao setor em 2019.

De acordo com um relatório da Eurostat de 2021, o número de trabalhadores no setor de ciência e tecnologia dobrou entre 2010 e 2020, chegando a 42 mil pessoas. Esse crescimento impulsionou um aumento de 1,5 vezes nas pesquisas internas no mesmo período. A maioria dos pesquisadores na União Europeia trabalha no setor privado (55%), seguido das universidades (33%) e do setor público (11%).

Em 2021, a Hungria atingiu um pico de 119 pedidos de patentes no Escritório Europeu de Patentes, mas esse número caiu para 102 em 2022. Entre 2002 e 2022, o país publicou 1.488 patentes, com a Pfizer Inc. e suas subsidiárias liderando em número de registros, seguidas pela Qualcomm Inc. e pela Bayer AG.

No que se refere ao ecossistema de start-ups, Budapeste tem se esforçado para transformar a Hungria em um hub europeu de inovação. Entre os principais setores estão Finanças e Seguros, Biotecnologia e Saúde, com destaque para empresas como Ustream, LogMeIn e Barion Payment. Em 2022, a maioria das start-ups húngaras foi financiada pelos próprios fundadores, com poucas atraindo investimentos de capital de risco. Apesar disso, o governo tem interesse em expandir o financiamento público e os subsídios para essas empresas. Segundo o *Hungary Startup Report* de 2023, 2022 foi o ano mais bem-sucedido para as start-ups húngaras, com investimentos de 180 milhões de euros, embora tenha havido uma queda de mais de 60% no fluxo de capital em 2023. Outros desafios incluem a dificuldade de internacionalização, restrições financeiras e falta de conexões internacionais.

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