A complexidade produtiva de Singapura

*por George Almeida e Thaís Barros

Ao longo das últimas décadas, Singapura alcançou um nível de desenvolvimento econômico notável, servindo de exemplo para muitos países que buscavam superar a armadilha da renda média. Na década de 1960, o país adotou um programa de reformas que priorizou o desenvolvimento industrial, o que, somado ao baixo peso da produção agrícola e à implementação de um modelo capitalista com rígido controle estatal, levou à priorização de atividades de alto valor agregado.

Inicialmente, Singapura seguiu o modelo de substituição de importações, acompanhado por uma política educacional forte. Em seguida, o país adotou políticas econômicas liberais, incentivando indústrias pioneiras e facilitando a entrada de capitais estrangeiros. Além disso, devido ao tamanho reduzido do mercado interno, Singapura se voltou para a produção de manufaturas voltadas à exportação.

Atualmente, Singapura é um dos maiores centros financeiros do mundo, com alta abertura econômica, inflação controlada e um forte comércio exterior. Sua localização privilegiada, aliada a políticas sociais em habitação, saúde e educação, e ao incentivo aos investimentos estrangeiros, contribuiu para seu sucesso econômico. Contudo, o país ainda enfrenta desafios como o baixo crescimento da produtividade, o envelhecimento da população e a alta desigualdade social, além da forte dependência da economia chinesa.

1. Complexidade Econômica
Em 2022, Singapura foi classificada como o 6º país economicamente mais complexo do mundo, de acordo com o Observatory of Economic Complexity. No início dos anos 2000, o país ocupava a 20ª posição nesse ranking, o que demonstra um crescimento significativo na complexidade econômica em cerca de duas décadas.

O índice de complexidade econômica de Singapura é determinado por três eixos principais: comércio, tecnologia e pesquisa. No comércio, o país ocupa a 6ª posição global, em tecnologia, a 37ª, e em pesquisa, também a 37ª posição.

2. PIB per capita
Segundo o Trading Economics, o PIB per capita de Singapura em 2023 foi de US$ 65.422,46, representando 518% da média mundial. Para 2024, o FMI prevê um aumento para US$ 88,45 mil. Apesar de uma breve queda em 2020 devido à pandemia de Covid-19, o PIB per capita de Singapura tem se mantido em crescimento constante, com o valor mais alto registrado em 2022, de US$ 67.948,90.

3. Manufatura per capita
O setor manufatureiro de Singapura representa mais de 20% do PIB do país, embora apenas cerca de 10% dos trabalhadores atuem nesse setor. Em 2023, o PIB da indústria manufatureira foi de 118,83 bilhões de dólares singapurianos, representando uma queda em relação ao ano anterior.

Considerando a população de Singapura de 5,8 milhões de habitantes, o PIB manufatureiro per capita em 2023 foi de aproximadamente 4,6 milhões de dólares singapurianos.

4. Pesquisa e Desenvolvimento (P&D)
Singapura é o país mais bem classificado do Sudeste Asiático em termos de gastos com P&D em relação ao PIB. Em 2023, o país gastou cerca de 2,2% do seu PIB em P&D, com uma previsão de aumento para 2,3% em 2024. A ênfase na inovação e tecnologia é vista como essencial para o crescimento econômico e competitividade global.

5. Inovação e Patentes
De acordo com o Global Innovation Index 2023, Singapura foi considerado o 5º país mais inovador do mundo, com uma pontuação de 61,47 em 100. Em relação às patentes, Singapura registrou 2.024 pedidos de patentes por residentes em 2021, consolidando sua posição como um dos países mais inovadores do Sudeste Asiático e do mundo.

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