*por Marco de Rosis Muniz e Nathalia Andrade Terra Pereira
O Reino do Marrocos está localizado na região do Magrebe, no extremo noroeste da África, em uma posição estratégica junto ao Mar Mediterrâneo e à Europa. Com uma população de aproximadamente 37 milhões de pessoas, o país tem um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,698, o que o posiciona em 120º lugar entre 193 países, conforme avaliado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O Marrocos possui as maiores reservas de fosfato do mundo e se destaca também pelo turismo, sendo o segundo país mais visitado da África em 2022, ficando atrás apenas do Egito. Cerca de 65% da população vive em áreas urbanas, com Casablanca sendo a maior cidade, com 3,6 milhões de habitantes.
O Marrocos é uma economia de renda média alta, com grande potencial e sólidos fundamentos econômicos. De acordo com o Atlas de Complexidade Econômica da Universidade de Harvard, o país é a 92ª economia mais rica em termos de PIB per capita entre 133 economias estudadas. Já segundo dados do Banco Mundial de 2023, o país é a 60ª maior economia do mundo, com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 137 bilhões.
A localização estratégica do Marrocos permitiu que ele se transformasse em um importante centro industrial entre a Europa e a África, especialmente na indústria automobilística. Esse setor experimentou um aumento de produção quase cinco vezes em uma década e tornou-se a principal fonte de exportação do país. Outros setores, como o de eletrônicos, também cresceram, reduzindo a vulnerabilidade da economia às flutuações nos termos de troca. No entanto, o país ainda enfrenta desafios, como o alto desemprego, particularmente entre os jovens; os efeitos das mudanças climáticas, que têm causado secas severas e frequentes, afetando a agricultura, setor que emprega 30% da força de trabalho; e o aumento do endividamento público no período pós-pandemia e após o terremoto.
Estrutura Econômica
O Marrocos tem implementado algumas reformas estruturais, mas ainda não iniciou o processo essencial de transformação estrutural que promove o crescimento econômico sustentável. Esse processo envolve a realocação da atividade econômica de setores de baixa produtividade, como a agricultura e o setor têxtil, para atividades de maior valor agregado, como a fabricação de automóveis, aeronaves, eletrônicos e máquinas.
Na última década, houve estagnação nas exportações de têxteis, enquanto os setores de eletrônicos e máquinas ainda não prosperaram o suficiente para impulsionar significativamente o crescimento do PIB. No entanto, houve crescimento nas exportações de produtos químicos, que possuem maior complexidade econômica.
Complexidade Econômica
O Marrocos ocupa a 81ª posição no Índice de Complexidade Econômica (ECI), entre 133 países analisados pelo Growth Lab da Universidade de Harvard. Desde o ano 2000, o país se manteve em um patamar relativamente baixo no ranking de complexidade econômica. Historicamente, o Marrocos perdeu uma posição ao longo de uma década, mas subiu 10 posições nos últimos cinco anos.
A perda de complexidade econômica é resultado da falta de diversificação nas exportações, apesar das oportunidades de diversificação da produção com base no conhecimento acumulado. Mesmo assim, a economia marroquina é ligeiramente mais complexa do que seria esperado para seu nível de renda. Nos últimos 15 anos, 19 novos produtos foram adicionados à produção, especialmente nos setores químico, automotivo e aeronáutico.
De acordo com as projeções do Growth Lab, o Marrocos deve crescer 3,9% ao ano até 2031, o que colocaria o país na metade superior do ranking global de crescimento. Comparado a países como Índia, China e Vietnã, que tiveram ganhos significativos de complexidade econômica, o Marrocos apresentou um aumento menos acentuado.
O país ocupa posições diferentes nos rankings de complexidade econômica, dependendo da metodologia. No ranking de comércio, está em 80º lugar, em tecnologia ocupa a 55ª posição e em pesquisa está em 110º lugar. Em 2022, o Marrocos perdeu quatro posições no ranking de comércio, manteve-se estável em tecnologia e subiu três posições em pesquisa.
As métricas de complexidade utilizadas geralmente se baseiam em dados comerciais, mas esses dados nem sempre consideram informações sobre atividades inovadoras, como pedidos de patentes e publicações de pesquisa. Assim, o Marrocos ainda não se destaca em termos de complexidade econômica, pois não apresentou evoluções significativas em sua estrutura produtiva.
PIB per Capita
Com uma população de 37,1 milhões de habitantes, o PIB per capita do Marrocos é de US$ 3.795, ou US$ 8.892 em termos de paridade do poder de compra (PPC). Entre 1998 e 2019, o país registrou crescimento constante no PIB per capita, com uma queda em 2020 atribuída à pandemia de COVID-19. O crescimento do PIB per capita marroquino tem sido menos acentuado, mas mais estável do que as médias regionais e globais. Isso indica que o país tem evoluído, embora de forma lenta, com potencial para progredir ainda mais.
Manufatura per Capita
Entre 2013 e 2019, o valor per capita da produção manufatureira no Marrocos sofreu um declínio, de acordo com dados do Banco Mundial e do Haut Commissariat au Plan, responsável pelas estatísticas oficiais do país. Esse declínio continuou em 2020 devido aos efeitos da pandemia, mas houve uma breve recuperação em 2021, seguida por um novo decréscimo em 2022.
Há uma trajetória moderada de aumento da contribuição da manufatura para o crescimento econômico do Marrocos, o que impacta o valor adicionado pela produção manufatureira. Segundo o Banco Mundial, acelerar a transformação estrutural da economia é fundamental para aumentar a produtividade, especialmente a do trabalho. A realocação de mão-de-obra da agricultura para a manufatura poderia melhorar a produtividade geral.
Entre 2000 e 2019, a realocação de trabalhadores entre setores contribuiu para um aumento de 18,4% na produtividade do trabalho, enquanto a melhoria dentro dos setores elevou a produtividade total em 37,3% no mesmo período. Mais de dois terços do crescimento do PIB nas últimas duas décadas podem ser atribuídos à acumulação de capital fixo, reflexo de um esforço contínuo de investimento, predominantemente liderado pelo setor público. Uma questão crucial é entender por que a transição demográfica no país tem levado a uma diminuição gradual na taxa de participação no mercado de trabalho.
Investimento em P&D e Inovação
Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Marrocos aumentaram entre 1998 e 2001, mas desde então, o crescimento foi modesto, com oscilações entre 2005 e 2015. Em 2010, o país estava em 8º lugar entre as economias de sua região em termos de investimento em P&D, mas os níveis atuais indicam que o país ainda não está a caminho de alcançar uma complexidade econômica significativa no curto prazo.
Patentes e Inovação Global
Em termos de inovação, o Marrocos está em uma posição desfavorável. O número de patentes registradas por residentes é bastante inferior ao de países como Turquia e Israel, e a maioria dos pedidos e concessões de patentes no país vem de não residentes. Em 2022, houve apenas 246 pedidos de patentes de residentes e 141 concessões, evidenciando que o país ainda está distante de uma posição de destaque em inovação.
A predominância de pedidos de patentes por não residentes reforça a ideia de que o Marrocos não está em um processo significativo de complexificação econômica.


