A complexidade produtiva do México

A complexidade econômica baseia-se na não ubiquidade e na diversidade, segundo Hausmann e Hidalgo (2009). Se poucos países são capazes de exportar um produto com muitas interconexões, esse produto é considerado mais sofisticado e exige mais ou capacidades específicas para ser produzido. Essa atividade econômica gera empregos melhor remunerados e promove maior desenvolvimento econômico. O México ocupa a 22ª posição no ranking de complexidade econômica (ECI), uma evolução de duas posições na última década. No entanto, o caso mexicano escapa ao modelo do Atlas de Complexidade Econômica devido à presença das maquilas. Permitidas desde 1964, pelo programa “Industrialización Fronteriza”, as maquilas realizam atividades de montagem e processamento de produtos a partir de componentes importados, geralmente da Ásia, que são reexportados para os EUA.

Essas montadoras, localizadas em cidades fronteiriças como Ciudad Juarez, aproveitam a proximidade com os EUA para reduzir custos de transporte e acesso ao maior mercado consumidor desses produtos, contando com facilidades burocráticas do USMCA e, anteriormente, do NAFTA. Diferentemente das atividades industriais convencionais, o valor adicionado pelas maquilas aos produtos exportados não é refletido nos índices de complexidade, que deveriam indicar que o México produz bens sofisticados e raros. Na realidade, a análise das importações mexicanas revela uma alta presença de bens complexos, indicando que pouca complexidade é efetivamente gerada no país. O que ocorre frequentemente é a reexportação de componentes com baixo valor agregado no território mexicano.

Além disso, o país é marcado por uma dualidade interna: o norte é mais rico e industrializado que o sul, o que se reflete nas exportações. O norte conta com um setor manufatureiro avançado, com capitais estrangeiros nas maquilas de automóveis, eletrônicos e produtos químicos. Embora esse fluxo comercial das maquilas traga benefícios ao PIB per capita, essas manufaturas focam na redução de custos, resultando em baixo investimento em mão de obra e pesquisa e desenvolvimento. Como consequência, o padrão de comércio exterior do México depende da importação de tecnologias e peças, com pouca geração de valor agregado ou novas técnicas internamente. Esse cenário econômico limita a diversidade produtiva do país e os empregos em setores mais complexos. Assim, a economia nacional passa a competir externamente por meio de custos baixos, em vez de inovação.

Por outro lado, o sul do país é dependente da produção de commodities agrícolas, como café, açúcar e bananas. A estrutura produtiva de Chiapas, o estado mais pobre do México, é a menos diversificada e complexa, com exportações de baixa sofisticação e poucas conexões produtivas. O México é um país de renda média alta, com um PIB per capita de US$ 10.045, ou US$ 19.578 em PPP, em 2021. Esse valor representa um aumento significativo em relação ao PIB per capita de US$ 4.002 em 1995. Há uma correlação positiva entre complexidade econômica e PIB per capita, já que países envolvidos em atividades econômicas mais complexas tendem a ter maiores taxas de crescimento e níveis de renda. Contudo, apesar do crescimento recente, o PIB per capita mexicano permanece em níveis semelhantes aos de 2017, refletindo a desigualdade social persistente e uma certa estagnação da renda média.

A manufatura representou um valor adicionado de US$ 269,8 bilhões ao PIB real do México em 2023, representando 20% do total. Em 2021, o valor adicionado per capita da manufatura foi de US$ 1.666, superior à média mundial de US$ 702, mais que o dobro do Brasil (US$ 819), mas quase 10 vezes inferior ao da Suíça (US$ 18.044). O setor manufatureiro, com maior produtividade e capacidade de diversificação, está diretamente relacionado ao aumento da complexidade econômica e da renda, uma vez que eleva os salários em outras indústrias. Contudo, o nível de emprego na indústria segue uma trajetória em arco, com o aumento do número de vagas no início do desenvolvimento econômico e a posterior queda em países de alta renda, à medida que as pessoas migram para setores de serviços mais sofisticados. O grande risco dessa trajetória é que países fiquem presos na “armadilha da renda média”, com indústrias de baixa tecnologia e serviços simples e de baixa remuneração, como ocorre no México e em outros países de industrialização recente, como o Brasil.

O número de marcas e patentes registradas nos EUA em comparação aos gastos com P&D em relação ao PIB comprova que o México é caracterizado pelas maquilas, com foco na montagem. Apesar de seu posicionamento no ranking de complexidade, o país apresenta baixo nível de inovação. Em 2020, o gasto com P&D no México representou apenas 0,3% do PIB, colocando o país na 75ª posição mundial. No mesmo ano, foram registradas 384 patentes mexicanas nos EUA. Em 2023, apenas 4% das patentes registradas no México foram feitas por mexicanos, enquanto 96% foram registradas por estrangeiros, evidenciando o baixo nível de inovação no país. Embora o México tenha avançado em termos de PIB per capita e complexidade econômica, a dependência de importações tecnológicas e da economia dos EUA, além do baixo nível de inovação, reforçam a posição do país na “armadilha da renda média”. Apesar disso, o baixo desemprego e a inflação relativamente estável têm contribuído para o crescimento sustentado da economia mexicana.

exportações do México:

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