Gunnar Myrdal utilizou o conceito de processo cumulativo para analisar e explicar o racismo estrutural na sociedade americana em sua obra seminal “An American Dilemma: The Negro Problem and Modern Democracy” (1944). Ele argumentou que o racismo estrutural é perpetuado por ciclos viciosos de desigualdade, onde fatores econômicos, sociais e políticos se reforçam mutuamente, dificultando a quebra dessa dinâmica. Abaixo está uma explicação detalhada de como Myrdal aplicou esse conceito:
1. A Discriminação como Fator Inicial
Myrdal identificou que a discriminação racial nos Estados Unidos criava barreiras iniciais significativas para os afro-americanos, restringindo seu acesso à educação, ao mercado de trabalho, à moradia e a outras oportunidades sociais. Esses obstáculos resultavam em desvantagens econômicas e sociais que reforçavam estereótipos negativos e preconceitos.
2. Feedback Negativo
Essas desvantagens iniciais geravam um efeito cumulativo:
- A falta de educação limitava as oportunidades de emprego, resultando em rendimentos baixos e perpetuando a pobreza.
- A pobreza, por sua vez, restringia o acesso a melhores condições de vida, saúde e educação para as gerações seguintes, criando um ciclo intergeracional de desvantagem.
3. Retroalimentação Cultural e Social
Myrdal apontou que essas condições não apenas reforçavam a pobreza e a exclusão, mas também alimentavam percepções negativas sobre a comunidade afro-americana, que eram usadas para justificar ainda mais a discriminação e a segregação. Assim, preconceitos raciais eram normalizados e institucionalizados, tornando-se parte da estrutura cultural e política da sociedade americana.
4. A “Crise Moral” da Democracia Americana
Ele descreveu o racismo como uma contradição entre os ideais de igualdade e liberdade da democracia americana e a realidade da discriminação racial. Myrdal chamou isso de “o dilema americano” e destacou que a desigualdade racial era um problema não apenas para os afro-americanos, mas para toda a sociedade, pois minava os princípios fundamentais da democracia.
5. Intervenção Necessária para Quebrar o Ciclo
Myrdal argumentou que, sem uma intervenção externa — por meio de políticas públicas e mudanças culturais —, o ciclo cumulativo de discriminação e desvantagem perpetuaria o racismo estrutural. Ele acreditava que o progresso social exigia uma combinação de educação, mudanças legislativas e um esforço moral coletivo para superar os preconceitos raciais e corrigir as desigualdades.
Exemplo do Processo Cumulativo no Racismo Estrutural
- Educação: A falta de acesso à educação de qualidade para afro-americanos resultava em empregos mal remunerados.
- Economia: Baixa renda limitava a capacidade de adquirir melhores condições de moradia ou pagar por educação superior, perpetuando a exclusão econômica.
- Habitação: A segregação habitacional criava bairros com menos investimento público, perpetuando más condições de vida.
- Estigmatização: Esses fatores reforçavam estereótipos racistas, justificando a manutenção de políticas discriminatórias.
Conclusão
Para Myrdal, o racismo estrutural nos Estados Unidos não era apenas uma questão de atitudes individuais, mas de processos sociais e econômicos que se reforçavam mutuamente. Ao identificar esses ciclos cumulativos, ele destacou a necessidade de ações coordenadas e conscientes para romper o ciclo de desigualdade e discriminação racial, apontando que mudanças eram fundamentais não apenas para os afro-americanos, mas para a própria integridade moral e democrática da sociedade americana.


Por aqui copiamos e assim deixamos ainda, hoje estamos tentando mudar mas de forma equivocada: colocando negros em sociedades diferentes e de origem africana, não leva a nada, coisa nenhuma, negro tem que ser considerados com os mesmos valores, usos e costumes dos outros todos!