A diversificação das atividades produtivas leva ao enriquecimento econômico

*escrito por Clovis Freire

O tema principal desta tese é a busca constante pela natureza e causas da riqueza das nações. Por que algumas nações são ricas enquanto outras são pobres? O que pode impulsionar o desenvolvimento em nações mais pobres? Ou o que as impede de progredir? Essas são as questões que estão no cerne deste trabalho. Na biblioteca do conhecimento humano, o espaço reservado para este tema já está repleto de estudos bem elaborados. No centro dele, destaca-se a prateleira dedicada à inovação e à mudança tecnológica. Ela contém inúmeros livros que contribuem para o nosso entendimento sobre a importância da inovação para o desenvolvimento e como fatores como educação, saúde, governança e instituições contribuem para a capacidade de inovação e mudança tecnológica. Este trabalho concentra-se em um aspecto da inovação e desenvolvimento que tem sido menos explorado: a diversificação das atividades econômicas. Isso é uma característica essencial do desenvolvimento. Quanto mais desenvolvida a sociedade, mais diversificada é sua economia.

A diversificação econômica, em última instância, é o resultado da inovação. Cada nova atividade econômica, ao produzir um bem ou serviço, gera uma novidade. Essa novidade é o resultado do processo de inovação e mudança tecnológica. Portanto, não deve ser surpreendente que uma economia mais desenvolvida também seja mais diversificada; ela contém o resultado da inovação, que é o motor do progresso. No contexto de países em desenvolvimento, a diversificação econômica geralmente está associada à introdução de um produto que é novo para o país, mas não para o mundo. Tal emulação de atividades mais produtivas, que foram resultado de inovações anteriores em países mais desenvolvidos, há muito tempo é reconhecida como uma maneira importante para economias mais pobres alcançarem o desenvolvimento. Por exemplo, Gerschenkron (1962) destaca a importância da tecnologia emprestada no rápido desenvolvimento de economias atrasadas em seus estágios iniciais de industrialização. Abramovitz (1986, 1989) argumenta que a emulação da tecnologia de melhores práticas dos Estados Unidos foi um elemento-chave para as altas taxas de crescimento rápido na Europa e no Japão no período pós-guerra. Reinert (2007) afirma que o processo de emulação é a maneira como os países ricos enriqueceram. Lin (2012) sugere que uma característica comum das estratégias de diversificação adotadas por países bem-sucedidos em alcançar o desenvolvimento foi que eles miraram em indústrias maduras em países não muito distantes em termos de renda per capita. A emulação também está no cerne do padrão de desenvolvimento econômico conhecido como “Modelo dos Gansos Voadores”, no qual as economias crescem iniciando a produção em setores que eram tradicionais em economias mais desenvolvidas, como vestuário, mas foram eliminados nesses países quando introduziram novos setores na fronteira tecnológica (Akamatsu, 1962).

O efeito da diversificação na dinâmica econômica estrutural não é direto. A diversificação altera a estrutura da economia ao adicionar novos setores econômicos, o que gera empregos e gera renda, mas também modifica os padrões de consumo de outros produtos por meio de efeitos de complementaridade e substituição. Se o novo setor produz um bem que é novo para o mundo e que atende a uma necessidade que não era atendida por produtos existentes, então a diversificação adiciona empregos e renda. Se o novo setor produz um bem que já é produzido no mundo, então a diversificação pode adicionar empregos e renda à economia, mas apenas deslocando empregos de outros países que competem no mesmo setor no mercado global. A competição reduz os preços, o que aumenta os rendimentos e os gastos reais, afetando empregos e renda. Embora o caminho seguido por uma economia específica seja difícil de prever, o modelo mostra que existem padrões específicos na relação entre diversificação econômica e produção total, emprego, consumo per capita e produtividade do trabalho que surgem das relações internacionais entre os países.

tese aqui: https://www.merit.unu.edu/training/theses/FREIRE_CLovis.pdf

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