Resumo em 6 parágrafos do livro The Economists’ Hour: False Prophets, Free Markets, and the Fracture of Society
Ascensão dos economistas ao poder O livro começa explorando como, a partir dos anos 1960 e principalmente nos anos 1970 e 1980, economistas ganharam crescente influência sobre políticas públicas nos Estados Unidos e no mundo. Appelbaum mostra como, até então, decisões políticas eram dominadas por juristas, engenheiros, militares ou políticos pragmáticos, mas gradualmente foram sendo moldadas por economistas que acreditavam na superioridade dos mercados sobre o Estado. Esse período, que ele chama de “A Hora dos Economistas”, marcou uma inflexão ideológica em direção ao liberalismo de mercado. A fé nos mercados livres Appelbaum analisa como economistas como Milton Friedman, George Stigler e outros da Escola de Chicago defenderam com sucesso a ideia de que os mercados, quando livres de interferência estatal, alocariam recursos de maneira mais eficiente e justa. Ideias como desregulamentação, cortes de impostos, livre comércio e privatizações tornaram-se dominantes. A promessa era de crescimento, eficiência e liberdade individual, e os formuladores de políticas públicas adotaram essas ideias como base para reformas estruturais. Impactos sociais e desigualdade O autor argumenta que o domínio das ideias pró-mercado gerou profundas fraturas sociais. Ao enfraquecer os sindicatos, reduzir os impostos sobre os ricos, desregulamentar setores estratégicos e permitir fusões corporativas, os economistas contribuíram para o aumento da desigualdade e para a concentração de renda e poder. Appelbaum critica a visão de que eficiência econômica deve sempre se sobrepor a considerações sociais, apontando como muitas dessas reformas marginalizaram grandes parcelas da população. Globalização e financeirização Outro foco do livro é o papel dos economistas na promoção da globalização econômica. Instituições como o FMI e o Banco Mundial passaram a condicionar ajuda a países pobres à adoção de políticas de mercado. Simultaneamente, os mercados financeiros foram desregulados, permitindo a ascensão de um setor bancário poderoso e internacionalizado. A financeirização da economia, segundo Appelbaum, fragilizou a estabilidade e aumentou a vulnerabilidade de nações e trabalhadores comuns. Críticas ao modelo tecnocrático Appelbaum também critica o papel dos economistas como tecnocratas que muitas vezes ignoraram o debate democrático e as consequências políticas de suas prescrições. Ele mostra como modelos matemáticos e argumentos abstratos foram usados para justificar políticas que afetaram vidas reais sem considerar suficientemente seus efeitos distributivos. Economistas, nesse sentido, agiram como “falsos profetas”, convencidos da neutralidade de suas análises, mas muitas vezes comprometidos com agendas ideológicas. Reflexões finais e legado No final, o autor sugere que o domínio dos economistas está sendo desafiado por uma nova onda de críticas, especialmente após a crise financeira de 2008. Há uma crescente percepção de que mercados não são neutros nem autorregulados, e que o Estado tem papel fundamental na regulação, redistribuição e provisão de bens públicos. The Economists’ Hour é, assim, uma crítica contundente à supremacia da lógica de mercado e um convite à recuperação do debate público e da responsabilidade social na formulação de políticas econômicas.

