A estratégia dos EUA para desbancar a China no comércio global: a vida como ela é!

*escrito com Uallace Moreira

Os EUA têm pressionando empresas e governos para eliminar a China da cadeia de suprimentos de tecnologia. Livre comércio? É historinha para quem acredita em Papai Noel. A estratégia dos EUA deixa em evidência como age um país hegemônico, que sabe do poder que a China tem. A história começa muito antes dos anúncios das sanções dos EUA. Para os executivos da indústria eletrônica de Taiwan, várias reuniões deixam claro os sinais desse movimento nos EUA já em 2016. As reuniões eram um sinal de que a batalha pela supremacia tecnológica entre as duas superpotências mundiais havia atingido outro nível. Tudo começou em 2016 com sanções contra a empresa de equipamentos de telecomunicações ZTE e tornou-se cada vez mais séria à medida que Washington aumentava a pressão sobre as empresas chinesas, com o argumento de que elas ameaçavam a segurança nacional dos EUA. No espaço de um ano, Washington revisou suas regras de controle de exportação três vezes para atingir a Huawei – mudanças que afetaram fornecedores americanos e não americanos da empresa chinesa. Com essas medidas, os fornecedores agora estão mais cautelosos com o alcance das medidas dos EUA contra a China e contra todos que se aliarem a China. Nos últimos dois anos, o governo Trump acelerou seus esforços para colocar empresas chinesas na lista negra, colocando-as na chamada Lista de Entidades, adicionando cerca de 70 outras empresas e organizações até agora neste ano.

Washington transformou as cadeias de suprimentos de tecnologia de semicondutores em armas a fim de desacelerar as ambições de tecnologia da China. Os EUA pretendem “suprimir o modelo de tecno-autoritarismo de Pequim”, disse ele. A mensagem dada aos executivos taiwaneses era clara: movam as instalações de produção para fora da China, reduzam os laços com clientes chineses como a Huawei e fique com os EUA, ou enfrentem o potencial pior cenário de se tornar o próximo alvo dos EUA. Taiwan está em uma posição-chave para testemunhar essa nova política emergente dos EUA. Suas empresas de tecnologia vendem igualmente para ambos os lados. A TSMC da Taiwan Semiconductor Manufacturing Co., maior fabricante de chips contratados do mundo, vende para o Foxconn Technology Group, anteriormente conhecido como Hon Hai Precision Industry,o maior fabricante contratado de eletrônicos do mundo. Ambas empresas vendem para o mundo. Alem disso tem como clientes as principais empresas dos EUA, como Apple, Microsoft, Google, Amazon, Qualcomm, Hewlett-Packard e Dell, bem como as principais empresas chinesas, como Huawei, Lenovo, Xiaomi, Alibaba Group Holding e Oppo. Situadas em uma linha de divisão que separa a China e os EUA em uma nova guerra fria tecnológica, as empresas de Taiwan estão sendo forçadas, embora a contragosto, a escolher um lado.

No mês passado, o governo dos EUA, por meio da AIT  (American Institute in Taiwan AIT), ecoou publicamente sua mensagem privada de que todos os fornecedores estrangeiros de tecnologia deveriam deixar a China. Em 4 de setembro, o Diretor da AIT, Brent Christensen, patrocinou um fórum sobre a reestruturação da cadeia de suprimentos, junto com contrapartes da UE, Canadá e Japão, para defender publicamente as sanções. Foi a primeira vez que os EUA realizaram tal evento em Taiwan, uma zona cinzenta diplomática sem uma embaixada americana completa, vista por Pequim como uma parte separatista da República Popular da China. Ficou claro que as empresas internacionais reconhecem cada vez mais os perigos de vincular seus futuros à RPC e começaram a buscar centros alternativos de produção e manufatura além da China. Mas não é tão simples para empresas de tecnologia em geral fazer isso; a China não é apenas uma base de produção profundamente enraizada, mas também apresenta mercado de interno de consumo com crescimento muito rápido. Por exemplo, 20% da receita total da Apple, mais de 20% da receita da Intel e 60% das vendas da Qualcomm, rei dos chips móveis, vêm da China, embora em muitos casos os itens vendidos na China sejam posteriormente reexportados para outros mercados. Vários fornecedores procuram transferir parte da produção para o sudeste da Ásia em meio a custos crescentes e escassez de mão de obra na China. Isso se acentuou com as sanções dos EUA. Na figura, fica claro esse deslocamento das empresas na Ásia. Por exemplo grandes fornecedores de tecnologia como a fabricante de relógios Apple Compal Electronics garantiram terras no Vietnã; A Inventec, fabricante de telefones AirPods e Xiaomi, possui instalações na Malásia.

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