A grande crise no mercado de trabalho do Brasil

*escrito com Uallace Moreira

A divulgação dos indicadores do mercado de trabalho brasileiro pelo IBGE deixam em evidência o quão grave é a crise econômica no país. A taxa de desocupação bate novo recorde, com 14,9%. Quando consideramos as taxas de desocupação, ocupação, subutilização e a taxa de desalento, a tendência é de crescimento, apontando para uma realidade preocupante para os próximos anos. Somando desalento, aqueles que desistiram de procurar emprego (5,7%), e desocupação (14,9%) chegamos a um desemprego de 20,6%. A taxa de desocupação de 14,9% representa mais 14 milhões de pessoas que estão procurando emprego e não encontraram. Esse é o maior número de pessoas fora do mercado de trabalho desde 2017.

O preocupante da elevada taxa de desocupação é que ela está associada a menor taxa do nível de ocupação da história recente da economia brasileira, com um percentual de 47,1%. Ou seja, mais de 50% dos trabalhadores brasileiros estão sem ocupação na economia brasileira. Observem que essa tendência de queda da taxa de ocupação acontece desde o início do ano, isto é, antes mesmo da crise da Covid-19.

Outro indicador que aponta para a gravidade do problema do mercado de trabalho é a crescente taxa de subutilização, que alcançou 30,3%. O crescimento impressiona quando comparamos com 2019. Esse indicador aponta para precarização e baixa renda.

Essa característica do crescimento da taxa de desocupação aponta para um elemento estrutural e não conjuntural, fomentado pela reforma trabalhista. O que pode significar níveis de renda mais baixos, assim como situação de maior vulnerabilidade da condição do trabalhador. A taxa de desalento é outro indicador também que aponta para a delicada situação do mercado de trabalho. A taxa de desalento apresenta uma tendência de crescimento desde 2015 e se agrava mais no período recente, ficando em 5,7%. As pessoas que estão no desalento são aquelas que não têm mais esperança de procurar emprego, desistiram. Isso reflete, em parte, falta de expectativa diante da delicada crise da economia brasileira. A taxa de desalento é uma crescente desde 2016 e se agravou mais ainda agora em 2020. Ou seja, a crise econômica que se arrasta no país desde 2015 – alternando taxas negativas do PIB  em 2015 e 2016 (-3,6% e -3,1%, respectivamente) e taxas baixas de crescimento do PIB 2017 e 2018 (1,06% e 1,8%) – , parece criar no país um problema estrutural das pessoas que desistiram de procurar empregos.

 

 

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