A história da produção dos caças Gripen no Brasil

A história da produção dos caças Gripen no Brasil é um marco importante na indústria de defesa do país e resulta de uma parceria estratégica entre a Embraer e a Saab, fomentada pela encomenda da Força Aérea Brasileira (FAB). Este projeto é um exemplo notável de cooperação internacional, transferência de tecnologia e desenvolvimento industrial.

A Encomenda da Força Aérea Brasileira

Em 2013, após um longo processo de seleção que durou mais de uma década, a FAB escolheu o caça Gripen E/F, fabricado pela empresa sueca Saab, como seu novo caça multifunção. O contrato assinado em 2014 previa a aquisição de 36 aeronaves, incluindo 28 caças Gripen E (monopostos) e 8 caças Gripen F (bipostos). A decisão foi baseada em critérios como custo-benefício, capacidade operacional e, crucialmente, o compromisso com a transferência de tecnologia.

Parceria entre Embraer e Saab

A Saab firmou uma parceria com a Embraer, a maior fabricante de aeronaves da América Latina, para a produção e desenvolvimento dos caças Gripen no Brasil. Esta colaboração visava não apenas a produção dos caças, mas também a criação de uma base industrial e tecnológica robusta no país.

Transferência de Tecnologia

Um dos pontos centrais do contrato era a transferência de tecnologia. A Saab se comprometeu a transferir conhecimento técnico e capacitação para a indústria aeroespacial brasileira, incluindo engenharia, produção, desenvolvimento de software e integração de sistemas. Este compromisso visava criar uma capacidade sustentável no Brasil para o desenvolvimento e manutenção dos caças Gripen e futuros projetos aeronáuticos.

Produção Local

De acordo com o contrato, 50% dos componentes e da produção dos caças Gripen deveriam ocorrer em solo brasileiro. A montagem final de grande parte das aeronaves está sendo realizada nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto, São Paulo. Este arranjo permite que a indústria brasileira adquira expertise e capacidade de produção de alta tecnologia, além de gerar empregos e impulsionar a economia local.

Desenvolvimento e Produção

A parceria entre a Embraer e a Saab envolve várias etapas de desenvolvimento e produção:

  1. Desenvolvimento Conjunto: Engenheiros brasileiros foram treinados na Suécia para adquirir conhecimento detalhado sobre o projeto e a produção dos caças Gripen. Esses profissionais estão agora aplicando esse conhecimento no Brasil.
  2. Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen (GDDN): Inaugurado em 2016 em Gavião Peixoto, este centro é um polo de desenvolvimento e engenharia, onde brasileiros e suecos trabalham juntos no projeto e na produção dos caças.
  3. Produção e Montagem: Diversos componentes são fabricados no Brasil, incluindo fuselagens, asas e outros sistemas críticos. A montagem final dos caças ocorre nas instalações da Embraer.
  4. Primeiro Voo e Entregas: O primeiro caça Gripen E montado no Brasil realizou seu voo inaugural em 2020. A entrega das primeiras aeronaves à FAB começou em 2021, com previsão de completar todas as entregas até 2024.

Impactos e Benefícios

A parceria entre Embraer e Saab e a produção local dos caças Gripen têm diversos impactos positivos para o Brasil:

  • Capacitação Tecnológica: A transferência de tecnologia permite que o Brasil desenvolva uma base tecnológica avançada, essencial para futuros projetos de defesa e aviação.
  • Independência Estratégica: Com capacidade de produção local, o Brasil reduz sua dependência de fornecedores externos para manutenção e atualização de suas forças armadas.
  • Desenvolvimento Econômico: A produção local gera empregos qualificados e promove o crescimento da indústria aeroespacial brasileira.
  • Exportação: A experiência e a infraestrutura desenvolvidas podem posicionar o Brasil como um possível exportador de componentes ou mesmo aeronaves completas no futuro.

Conclusão

A produção dos caças Gripen no Brasil, fruto da parceria entre Embraer e Saab, é um exemplo de sucesso na colaboração internacional e transferência de tecnologia. Esta iniciativa fortalece a capacidade de defesa do Brasil, desenvolve a indústria nacional e promove o avanço tecnológico, posicionando o país como um ator significativo no setor aeroespacial global.

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