A indústria do quase no Brasil: Gurgel e as memórias de um médico-legista

Quase conseguimos nos desenvolver, faltou pouco. No início dos 80 a produção industrial brasileira era maior do que a chinesa e coreana somadas. Exportávamos todo ano mais do que esses dois países, hoje ícones de sucesso de desenvolvimento econômico no mundo. Por que? Uma explicação muito simples: perdemos o bonde da sofisticação produtiva. Sabíamos fazer muitas coisas, hoje não sabemos mais. A indústria brasileira quase chegou a padrões mundiais e quase conquistou mercados lá fora; os anos 80 foram o ápice de nosso desenvolvimento tecnológico relativo. Desde então as indústrias brasileiras foram perdendo espaço no mundo e no mercado interno e hoje somos capazes de fazer bem menos coisas. Nossa capacidade tecnológica esta minguando. Nossa sofisticação produtiva vai pelo ralo e a complexidade do tecido produtivo brasileiro só diminui. Dentre milhares de exemplos vale a pena ler abaixo a história dos carros de Gurgel e a indústria de cilindros de mergulho no Brasil.

Quase fizemos cilindros de mergulho brasileiros: https://www.brasilmergulho.com/amazon-a-historia-de-um-cilindro-de-mergulho-fabricado-no-brasil/

Quase fizemos carros brasileiros: https://quatrorodas.abril.com.br/noticias/gurgel-o-engenheiro-que-virou-carro/?fbclid=IwAR1Tnsx8vcnOTphZZxHuwmHI5V-cO-_7TKQ-V95CW2Du4Yj-u9QQWYSJlfE

História Gurgel:

Dez carros genuinamente brasileiros:

https://mundofixa.com/10-carros-brasileiros-incriveis-que-voce-nem-sabia-que-existiram/

documentários sobre a história da Gurgel:

https://m.youtube.com/watch?feature=youtu.be&v=iBcA8ap7iHY

https://youtu.be/o7L_fxkMPeQ

História da empresa brasileira OPTO:

A empresa evoluiu muito até 2005 quando foi escolhida pelo Governo Federal para desenvolver as Câmeras dos Satélites CBERS (http://www.cbers.inpe.br/noticias.php) do satélite Amazônia1 (http://www.inpe.br/amazonia-1/) e o sistema de guiagem do míssil A-Darter em parceria com a África do Sul (http://www.airforce-technology.com/projects/a-darter-air-to-air-missile/). Com esses projetos a Opto cresceu exponencialmente entre os anos de 2006 e 2010 chegando a receber prêmios por ser a empresa de tecnologia de mais rápido crescimento no Brasil. Porém os contratos com o Governo Federal sofreram enormes impactos a partir de 2011. Os programas foram desacelerados, os pagamentos postergados e a Opto entrou em grave crise econômico/financeira. A área mais afetada foi justamente a de fabricação de equipamentos médicos que necessitava de maior capital de giro. A Opto interrompeu suas participações nos congressos oftalmológicos, viu suas vendas decaírem para quase zero e perdeu sua força de vendas.

Em meados de 2012 a empresa iniciou um projeto de recuperação. Nesse projeto a meta era vender as áreas de Defesa e Espaço e voltar a investir pesado na área médica Oftalmológica. O negócio de tratamento antirreflexo – com 03 filiais no Brasil (São Carlos-SP, Fortaleza e Porto Alegre) permaneceu saudável e ajudou financeiramente o restante da empresa nos anos de recuperação. Todas as empresas interessadas nas áreas de Defesa e Espaço eram internacionais e o Risco Brasil impediu que nos anos de 2013 e 2014 a Opto conseguisse fechar a venda dessas divisões. No final de 2014 a direção da empresa decidiu fazer um pedido de Recuperação Judicial. Apesar de o nome remeter à falência da empresa, esse processo justamente serviu para salvar a empresa uma vez que, estando em recuperação judicial, a empresa pôde vender as áreas de defesa e espaço sem risco sucessório para o comprador (essa é uma das premissas de uma recuperação judicial). Assim, no final de 2015 a Opto teve o seu plano de recuperação aprovado por mais de 94% dos seus credores e em 2016 vendeu sua área de Defesa e Espaço para a AKAER Engenharia S/A (A SAAB tem participação de 25% na Akaer) A SAAB é a empresa Sueca que vendeu os caças para a força aérea do Brasil e cujo míssil A-Darter é equipamento fundamental. Em 2016 a empresa reestruturou sua equipe de vendas. Hoje a Opto pratica preços competitivos para os seus equipamentos e continua prestando assistência técnica para todos os produtos.A recuperação judicial da Opto encerrou-se em Janeiro de 2018 e a empresa está relançando produtos que já teve no passado, como Campímetros e Retinógrafos e com projetos de novos produtos como um novo microscópio.

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