A Indústria Petroquímica Brasileira ao longo do tempo e o novo normal

*escrito por Carlos Lopes

A Indústria Petroquímica Brasileira (IP) foi desenvolvida nas décadas de 50, 60 e 70, com forte apoio estatal, com foco na promoção de um processo de industrialização, a sistemática utilizou a estratégia de um modelo de política de substituições de importações, mas com viés de descentralização industrial. À época o atendimento da demanda era vocacionado principalmente para mercados locais, além da criação de barreiras tarifárias para sua proteção. Naquele ambiente não ocorriam pressões ambientais para produtos e/ou energias de base renováveis. Em resumo, o modelo era de uma economia linear: extração, produção, consumo e descarte, onde as questões de reciclagem e a reutilização dos processos produtivos eram muito baixos.

À medida que as décadas foram avançando, o Brasil passou por inúmeros ciclos e modelos econômicos, mas fato é que ao longo desse processo desenvolveu pela ótica empresarial uma indústria petroquímica com uma plataforma bem estruturada, alinhada aos padrões internacionais. Pela ótica de divisão dos produtos petroquímicos pela metodologia sistêmica sugerida por Charles Klein, o mercado brasileiro foi estruturado e dividido em três grandes blocos: Building blocks, Commodities e Specialties, esse desenho é justificado pois a petroquímica é global.

A petroquímica dos dias atuais tem que competir com três grandes áreas geográficas de negócio, que possuem vantagens comparativas intrínsecas: USA, Oriente Médio e a China. Mesmo com as principais empresas internacionais atuando no mercado brasileiro, a questão da concorrência em um ambiente global, tem demonstrado condições insuficientes para medição das vantagens competitivas frente a essa concorrência. Após mais de sete décadas, o índice de competitividade tem declinado de forma exponencial, só para citar a métrica de comércio, atualmente cerca de 50% do consumo é suprido por importações.

Diante de uma nova realidade internacional, em um ambiente chamado de novo normal, no sentido econômico, social, regulatório e ambiental, com cenários de rupturas estruturais, dois drivers se destacam: cadeias produtivas estendidas e segurança operacional. Os novos cenários deverão ser desenhados visando uma competitividade global, por tendências de sustentabilidade, transição energética (biopolímeros e tecnologias limpas), circularidade, investimentos em inovação, e novas paradigmas de políticas comerciais. Esse novo normal mirando as duas próximas décadas de transformações estruturais, apontam para inúmeras oportunidades para a IP brasileira, desde que se adaptem às varáveis exógenas globais ao modelo brasileiro, o que irá exigir quebra de paradigmas.

Os cenários serão desenhados por tendências globais de sustentabilidade, pela transição energética (biopolímeros e tecnologias limpas), circularidade, investimentos em inovação, e novas paradigmas de políticas comerciais. Esse “novo normal” trará oportunidades para o Brasil liderar em biopolímeros e tecnologias limpas, mas dependerá de políticas públicas consistentes, investimentos em inovação e competitividade global. Nesse contexto, a Chemvision pode assessorar empresas, ao nível de C-Level, no seu posicionamento estratégico frente aos desafios que se apresentam na atualidade para a indústria química e petroquímica.

O futuro nos espera, depende do nós!

ChemVision – Carlos Lopes

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